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Método

1, 2, tessste, ssssoooomm, ssssoooooom.

Estou fazendo um power point-tabela-fluxograma da minha vida para me autoentender. Confere?

 

Camila Teixeira

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Pergunta

Você já identificou, reconheceu e dominou seu lado obscuro, hoje?

 

Camila Teixeira

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Luta contra os robôs

Eu sei que o ser-humano é um ser social e que, portanto, passa seu tempo tentando pertencer a determinado grupo pela semelhança. Tipo: punk se vestir de preto, nerd falar de games, meninas falar sobre moda, etc. Mas acho que o homem chegou ao limite do bom senso, ao fundo do poço, quando tenta se parecer com robôs. E estamos em plena epidemia.

O indício mais grave do processo de robotização do ser-humano é esse desejo de agir como eles – o interesse pelo não-pensamento, pela ação comandada, pelo caminho fluxograma e pela limitação, todos altamente convenientes para um robô-wanna-be. Porque o número de burros convictos que tenho visto perambular por aí é, olha, vou te contar.

Alguém, por favor, avise os humanos: não há a recompensa do pertencimento em se parecer com um robô. Robôs e máquinas ainda não são uma tribo (ainda). Embora sejam capazes de lembrar da data do seu aniversário, eles não vão organizar uma festa surpresa e te oferecer uma grapette gelada quando você chegar em casa depois do trabalho – é bom deixar claro.

Cá estamos. O cúmulo da bizarrice não é mais máquinas que desejam ser como humanos, como retratam os filmes de ficção científica. A moda agora é humanos que querem ser como robôs. E estão conseguindo.

Aperta o reset.

 

Camila Teixeira

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Adendo

Num post anterior, eu disse: “Nenhuma realização é tão bela quanto um sonho”.

Após árduos minutos de profunda reflexão, cheguei a um outro veredecccto sobre essa questã, que é o seguinte:

É verdade. Nenhuma realização é tão bela quanto um sonho.

Isso porque o sonho tem uma grande vantagem. Ele existe apenas na imaginação. E a gente faz dele o que quiser. Por isso, costumam ser todos perfeitos e lindos. Ou alguém aqui costuma acalentar o sonho de que tudo dará errado? Estilo: ai, no dia do meu casamento queria tanto dar de cara com a porta e quebrar o nariz… Ou então: que delícia quando eu repetir de ano na escola, uuhuuu! Ou ainda: nossa, tava querendo tanto levar um puxão de orelha do meu chefe…Na frente de todo mundo ainda, imagina que tudo!

Alguém? Alguém? Não, né. Ninguém. Nem eu.

A realização tem uma grande vantagem em relação ao sonho. Ela existe no mundo real, no aqui e agora. Vamos logo, então, tirar de cima do sonho toda essa purpurina besta, que, aliás, só serve pra sujar o dedo. E o que sobra é a imperfeição da vida real, mas a concreta e que, principalmente, pode ser partilhada com outros.

E essa possibilidade de dividir uma bela realização imperfeita me parece mais valiosa do que viver apenas na perfeição do sonho.

Nenhuma realização é tão bela quanto um sonho. Mas toda realização é tão bela quanto ela pode ser.

 

Camila Teixeira

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O postulado (in) feliz

Dia desses li um texto sobre dois psicólogos/pesquisadores que traçaram um paralelo entre o funcionamento da mente humana e a felicidade. Os autores dizem: “A human mind is a wandering mind, and a wandering mind is an unhappy mind”. Em seguida, eles completam “The ability to think about what is not happening is a cognitive achievement that comes at an emotional cost”.

No momento em que li, instantaneamente achei que era algo evidente e que, enfim, alguém tinha conseguido apontar por meio da lógica a causa da felicidade ou da infelicidade. De fato, passamos boa parte do tempo pensando naquilo que não temos, por maior que seja nossa coleção de bens materiais e imateriais. E isso tem um peso.

Só que, logo na sequência, algo me soou estranho. De uns tempos pra cá, eu vinha achando o contrário, que a felicidade é fundamentalmente ter o que buscar. E ter o que buscar é, em princípio, se dar conta daquilo que não temos. Eu estava feliz com esse meu postulado, pois ele elucidava perfeitamente meu estranhamento ao observar o funcionamento do mundo.

Quantas vezes já não vi situações contraditórias de pessoas realizadas e de grandes posses, mas, ainda assim, infelizes. Quantas vezes já não vi pessoas humildes, ou em busca de seus objetivos, animados pelo desafio de conseguir o que desejam. Considerar “o que não está acontecendo” como causa da infelicidade pode parecer lógico, mas me parece uma explicação  reducionista e incompleta.

O problema da conclusão deles é que se trata de um retrato apenas momentâneo. Não projeta as consequências do não-acontecimento no tempo e seu impacto na vida de alguém (considerando uma mente sã, obviamente). E é aí que entra a genialidade do meu postulado, que é o seguinte:

A capacidade de imaginar e desejar aquilo que não temos é justamente um dos combustíveis da felicidade. Saber onde se quer chegar, imaginar como, fazer planos, tudo isso borbulha no espírito de quem se dá conta daquilo que não tem – e claro, deseja alcançá-lo (a teoria é mesmo linda).

Em última medida, quando penso nesse meu postulado e o relaciono com o que dizem os pesquisadores, minhas conclusões são as seguintes, nessa ordem:

  • A infelicidade é o ponto de partida e mesmo parte da felicidade – e não o seu oposto;
  • A felicidade é um desejo, uma miragem, uma imaginação, um sonho, uma projeção;

Só que aí vem a vírgula, o porém que mata:

  • Nenhuma realização é tão bela quanto um sonho, tão perfeita quanto o desejo, tão linda quanto a miragem, tão ideal quanto a esperança;
  • Sempre, invariavelmente, haverá algum descontentamento na passagem entre o imaginário e o concreto.

Talvez esse choque entre o real e o imaginado, isso sim, seja a causa da infelicidade.

 

(Post em evolução, que é uma sequência deste).

 

Camila Teixeira

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A função do gostar

Eu sempre penso se o que gosto sou eu que gosto de verdade. Ou se é o gosto de outra pessoa. Se você chegou aqui achando que o que gosta é gosto seu, sinto informar que nada ou pouco do que gosta você gosta porque simplesmente gosta. Porque o gostar, repare, é um ato de integração social. Poucas coisas podem ser tão maquiavelicamente manipuladas quanto o ato de gostar.

Complicado? Nada, boba. Funciona assim. Você gosta de um cara. Ele gosta de pudim de chá de boldo e de passar o domingo vendo pegadinha na televisão. Hm. Apesar disso, você gosta do sujeito. O que você faz? Um esforço descomunal para fingir que se interessa pelo hobby dele. E daí, cria-se a empatia, a semelhança, a proximidade, requisitos básicos para iniciar a relação amorosa que você deseja.

Ou então, meu amigo. Você está numa entrevista de emprego. Você precisa desesperadamente desse emprego. A empresa fabrica armas nucleares. Você odeia armas nucleares, mas precisa pagar suas contas ou morre porque tem um agiota bandido atrás de você. O que você faz? Diz que é fã do Rambo, do Comandos em Ação e que passou sua infância inteira jogando batalha naval.

É assim. A gente gosta porque o outro gosta, por conveniência, para parecer, por integração, porque precisa, por interesse, por vingança, por influência, para provocar, para disfarçar, por obrigação, para agradar, para impressionar, por costume, para não se sentir só.

Quanto do gostar é realmente puro, é realmente amor?

 

***

 

PS: Gostou do meu texto?

 

Camila Teixeira

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Técnicas para parecer interessante

Bom, finalmente você entendeu e aceitou que é uma pessoa desinteressante. Como diz minha mãe, pa-ra-béns. Para chegar a esse ponto, é preciso muita coragem e autoconhecimento, o que é bastante louvável. Se você chegou a esse ponto, deve estar se sentindo o último dos bobalhões. Talvez você realmente seja um bobalhão, mas, hoje em dia, não há nada que não possa ser revertido com um mínimo de empenho.

Após anos de observação social e virtual, selecionei cuidadosamente algumas dicas para você dar início a sua transformação, ao seu relook social. São conhecimentos fundamentais para que você possa construir seu novo eu. A lista é um pouco longa, mas a vida é assim, parecer interessante demanda trabalho e dedicação. E se você já sentiu preguiça antes de começar, sinto informar que você é um bobalhão irremediável.

Lá vai.

Quase toda pessoa interessante é uma farsa. Ou então tem mau hálito. Ou seja, elas não são o que parecem. Elas só parecem. Essa é a boa notícia, porque você também não precisará ser alguém interessante. Parecer será suficiente. Mas escove os dentes regularmente.

Tenha uma mania ou uma paixão, enfim, algo que fuja dos padrões da sua idade/círculo social. O clássico é colecionar cartazes de publicidade da antiga União Soviética. Mas você pode tentar outras opções, como praticar jardinagem, colecionar vinis (muito na moda), ler HQs ou graphic novel (altamente na moda), fazer pose de bom cozinheiro, ir a todas as exposições de artes da cidade, ver apenas filmes cults e alternativos, amar Paris, NY, Tóquio  (clássicos) ou qualquer outro lugar mais insólito, tipo Patagônia. O importante é ir fundo na opção que escolher e saber tudo sobre ela.

Faça da sua casa seu reduto sagrado. Dê uma limpeza geral, jogue os lixos fora (importante), mas guarde as antiguidades preciosas. Saiba distinguir antiguidades preciosas de lixo.

Goste do Woody Allen. Todo mundo que parece interessante gosta do Woody Allen (ou pelo menos diz que gosta). Allen é um grande consenso cultural e, ao dizer que gosta dos trabalhos dele, terá grandes chances de criar empatia com os interessantes. (E fique tranquilo, os interessantes só viram os últimos filmes e olhe lá. Portanto, se você disser que adorou um título realizado nos anos 70 vai estar abafando geral).

Use a palavra super antes da conjugação de um verbo (em alta). Exemplo: ele super sabe, ele super superou (evite essa formação & similares), ela super adorou, etc.

Faça críticas à programação de TV, mas atenção, BigBrother não é mais um bom alvo, já que os interessantes resolveram assumir que acompanham o reality show. Prefira as bizarrices que rolam de madrugada. Tenha o cuidado de passar uma noite em branco para saber o que passa no Corujão.

Não minta sobre as coisas que anda vendo. Não tenha medo de dizer que não viu algo (e aproveite para falar isso com ar totalmente blasé. Ser blasé vale ouro). Mentir sobre algo que não viu é queimar o filme para o resto da vida.

Acompanhe o twitter, mas não ouse tuitar. Sendo alguém desinteressante, você correrá sério risco de ser honesto, dizer uma bobagem desinteressante e, portanto, de queimar o próprio filme.

Faça de uma viagem até a esquina de casa parecer um mergulho na vida pulsante da cidade. Ou faça uma visita ao jardim público mais próximo parecer uma verdadeira imersão na natureza e no seu lado zen. Tire fotos (boas) e compartilhe (se ficarem ruins, faça retoques no photoshop).

Pratique um esporte diferente do futebol e fale sobre ele com brilho nos olhos (para tanto, é altamente recomendável fazer um curso de teatro).

Faça um curso de teatro para aprender a interpretar o papel de alguém interessante. Isso poderá te ajudar a se tornar uma pessoa interessante de verdade.

Nem todos os ricos são interessantes. Aliás, quase todos são chatos. Portanto, não se preocupe se você é um pé rapado. Aliás, hoje em dia ser pé rapado é glamour. Mas disfarce e faça parecer que seu estado pé rapado é uma opção e não sua situação.

Não fique falando sobre você, ainda menos se você é desinteressante. Só se transforme em assunto se os outros se interessarem espontaneamente por você (vai demorar).

Seja feliz. Ou pareça ser. Sempre funciona.

 

Camila Teixeira

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Quem sou eu – O túnel

Introdução, experimento n°1

Existe uma questão existencial historicamente deixada de lado que não pode mais ser ignorada. É preciso dar um basta nessa situação insustentável. Do alto da minha sabedoria compartilho com a humanidade, nesse instante iluminado e generoso, a tal questã, que é a seguinte: já que dificilmente conseguimos encontrar uma resposta sólida para o quem sou eu, façamos mais simples, com pequenos passos, levantando a pergunta – tchã-nãm – quem estou eu.

(Depoimento que concedo para eventuais estudos de caso): desde que comecei a me perguntar quem estou eu, meus problemas acabaram.

De fato. Observe atentamente. Quando se analisa o conjunto de respostas para esta pergunta  – quem estou eu – obtemos sérios indícios de respostas para o quem sou. Fácil, não?

Veja bem, o que nos falta é método.

Experimento n° 2, conclusão

Assistindo a um documentário sobre astrofísica, observei que a melhor maneira de compreender um conceito complexo é por meio de exemplos ilustrados. Aqui vai o meu sobre a resposta para o quem sou.

Imagine um túnel longo, alto e largo. Preencha-o com várias camadas de materiais diversos. Pedra, areia, concreto, barro, madeira, sal, papel picado, vapor, água, algodão, isopor, ar, etc. Cada camada equivale a uma fase do quem estou. Depois que o túnel estiver completo, imagine que a única coisa que você não acrescentou, mas que, misteriosamente está lá, foi um fino fio de seda. Ele está localizado no exato centro do túnel e o atravessa em toda sua extensão. Pois esse fio de seda é o quem sou. Nossa tarefa é atravessar todas as camadas para tentar encontrá-lo.

Simples, não? Só é um pouco trabalhoso. Mas, enfim, ‘tamo’ aqui pra isso.

De nada.

 

Camila Teixeira

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Aerodinâmica

Às vezes observo certos acontecimentos cotidianos e tenho a impressão de que o ser-humano não possui uma aerodinâmica espiritual totalmente adaptada à vida na terra.

 

Camila Teixeira

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A culpa é da paz

Você percebe que a pessoa chegou no limite da neurose quando ela pensa coisas do tipo:

 

Estar em paz é algo perturbador. Porque, veja bem, estar em paz significa que:

  • ou está tudo bem, tudo está em ordem, tudo está em dia;
  • ou que você descaradamente ignorou a existência de um problema pendente.

Nos dois casos, a paz simplesmente não pode existir pois:

a. sempre há ou haverá um problema a ser solucionado, nem que seja uma unha encravada;

b. “paz” e “problema” são dois estados que simplesmente não podem ocupar a mesma alma, assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.

Ou seja, se você se sente em paz, isso quer dizer que:

  • ou sua paz é uma farsa completa
  • ou é uma sensação sem fundamento
  • ou uma tremenda autoenganação

E convenhamos, se sentir em paz quando há uma pendência a ser resolvida é uma bela prova de que você não está nem aí para o mundo. E que você provavelmente já usou (com orgulho) aquelas camisetas de carnaval: sou da filosofia da vaca. C***ndo e Andando. Bonito, hein?

Mas, sabe, se você faz parte dessa corrente filosófica, tudo bem. Não há nada de errado nisso. E é até compreensível o alívio que essa filosofia é capaz de proporcionar ao espírito. É só viver em paz com a consciência de que está tudo bem.

 

Camila Teixeira

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