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Méritos

Faz tempo que quero comentar um negócio muito importante. Reservei um tempo especial só para falar disso. E esse negócio é uma pergunta existencial, que é a seguinte: como as francesas fazem para cultivar um cabelo extremamente charmosamente  muito bagunçado? Sério.

Há meses venho reparando nesse fenômeno curioso e completamente incompreensível. Cada vez que entro no tramway às 7h30 da manhã, aparece uma francesa do meu lado com um coque gigante e desajeitado em cima da cabeça, cheio de fios desgovernados caídos pelo rosto, com um ar de oi, acabei de acordar, e ainda assim, um penteado incrivelmente irresistível e de dar inveja em qualquer monja.

Esses franceses são cercados de lendas. O french kiss, a petite mort, a magreza numa gastronomia cheia de manteiga, o não tomar banho, a baguete e a boina, o romance em Paris, Paris apenas, e agora mais esse que instauro, o mistério do cabelo espatifado altamente charmoso.

Se eu me aventuro a reproduzir a moda, o resultado seria desastroso, já sei por antecipação. Nem uma versão mais radical do Bob Marley ia querer algo do tipo.

Ainda falta muito para que eu alcance o mérito do penteado francês.

Camila Teixeira

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Fotinhas de Paris

Dei uma passadinha por lá e lembrei de você.

©CamilaTeixeira

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Atualizando.

Pensando aqui. Foi sem tripé e com frio. Até que não ficaram tão ruins.

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All that you cant leave behind

As vitrines francesas têm uma vantagem e um grande problema. Quando digo vitrine, falo principalmente dos mercados das pulgas e dos bouquinistas de Paris. A vantagem é que, geralmente, são lindamente decoradas. O grande problema é a dificuldade para tirar foto delas – os proprietários não deixam. Ainda não consegui achar uma explicação para o fato de que vendedores franceses não gostam de ter suas mercadorias fotografadas. Ó vida.

 

 

Depois de várias experiências frustradas, concluí que tirar fotos de vitrines francesas proporciona uma sensação semelhante àquela que antecede um delito. Não que eu seja uma delinquente de primeira linha. Mas o fato é que essa modalidade fotográfica me causa a mesma sensação que me faz evitar um delito. É uma aventura arriscada, um coração que vem na boca, uma falta de jeito, um frio na barriga, um medo de que o proprietário da mercadoria me pegue no flagra e venha descontar seu mau-humor sobre mim com um “não pode” seco e carrancudo.

 

 

Fui até obrigada a desenvolver métodos para conseguir tirar algumas fotinhas valiosas. Método número um: tirar a foto e sair correndo. Dois: deixar tudo programado, esperar o proprietário virar as costas e fazer o click no vacilo dele. Três: dar de louca e fingir que não entendo nada. Quatro: tirar foto com os olhos e guardar a imagem na memória. Cinco: enfrentar o proprietário.

 

 

Um tempo atrás, teve um mercado das pulgas na cidade onde moro. Eu estava em estado de graça, tentando recriar naquelas fotos o cheiro do doce queimado que minha vó fazia. Até que um senhor, o proprietário, veio e brigou comigo: “não pode tirar foto”. Minha alegria foi partida ao meio, na guilhotina, sem que eu tivesse qualquer chance de defesa.

 

 

Episódios como esse se repetiram várias vezes desde então. Fotografar vitrines virou um esporte de alto risco para mim. A verdade é a seguinte: alguns saltam de parapente. Eu tiro foto de velharias de velhinhos ranzinzas em feiras ao ar livre. A adrenalina resultante é a mesma, tenho certeza.

 

 

Ainda tento entender por que os proprietários não gostam de ter seus produtos fotografados. Talvez não queiram dividir seus pertences com ninguém, apenas vender.

Não sei como essa gente consegue se desfazer de coisas assim.

 

Camila Teixeira

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Romantismo em Paris

Vamos deixar uma coisa bem clara: ao contrário do que diz o mundo inteiro, Paris não é nada romântica. Eu gostaria de conhecer a pessoa que teve a ideia de associar Paris a romantismo para poder perguntar-lhe por que raios resolveu dividir esse engano com o resto da humanidade. Paris pode ser tudo: bonita, chique, organizada, histórica, luxuosa, obrigatória, etc, etc, etc. Mas romântica definitivamente ela não é. Ou melhor: ela poderá ser se você for rico o suficiente para poder pagar por um pouco de exclusividade e um quarto de hotel lindamente decorado. Ou então se você já for um local e conhecer os programas fora do circuito turístico. Ou então se você estiver vendo algum filme que se passa na cidade. Do contrário, bem-vindo ao clube dos frustrados com a propaganda enganosa.

Reuniãozinha íntima com meu amor: abraçando o mundo.

Reuniãozinha íntima com o meu amor: abraçando o mundo!

Porque acontece o seguinte, vamos deixar isso muito claro para quem acredita que, ao chegar na cidade, verá corações de fumaça sair do escapamento dos carros, ou que o bife terá a forma de uma rosa, ou que um misterioso desconhecido terá arranjado um jeito de deixar um anel de brilhantes em cima do seu travesseiro: Paris é, principalmente nos meses de julho e agosto, uma estação de metrô de São Paulo às 18h na véspera de feriado. Só que o dia inteiro, todo dia.

É duro ouvir isso, eu sei, mas é a mais pura verdade. Se você vai a Paris procurando romance, saiba que, ao invés de encontrá-lo, dará de cara com filas quilométricas para visitar um museu megalotado, para comprar uma garrafinha de água de 250 ml por 2,50 euros, para tentar fazer xixi em paz num banheiro mais ou menos limpo, para comprar um sanduíche seco. Sem contar algumas cotoveladas para poder ver os monumentos mais conhecidos, o próprio metrô lotado, as milhares e infinitas escadarias espalhadas pela cidade, a pressa que te obriga a dar uma olhada rápida por cima das obras que você achava que veria com tranquilidade, o trator da programação de visitas do dia, a dor nas pernas e na sola dos pés de tanto andar, e a foto-lembrança na qual você estará ao lado do seu amor e de mais 500 mil desconhecidos. Você abraçando o mundo. É uma ideia romântica, oras.

A boa notícia é que, com esse mar de gente com quem você será obrigado a dividir a paisagem, você terá uma ótima desculpa para ficar coladinho no seu amor. Ok, vai. Fazendo um esforço, isso também é romantismo. O resto é exagero meu.

Camila Teixeira

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Estudo para quando eu tiver uma banda

No dia em que eu tiver uma banda, tenho uma lista de músicas que vou querer tocar. Sempre que ouço um título que me agrada, anoto no espírito para não esquecer. Só que, por algum motivo, nos últimos dias parei nessa do Moptop, Paris. Tá no meu repeat. Acho que gosto dos contrários da letra, tipo: “Ainda te quero bem / só não te quero mais”. Acho honesto.

Se fosse num showzinho, me acabaria de gritar.

 

 

 

Camila Teixeira

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Links para Paris

Evidente que tinha pensado em escrever sobre as maravilhas francesas. Ao perceber, porém, que meus comentários se pareceriam mais com uma compilação dos atrativos padarísticos do meu bairro, sabiamente mudei de ideia.

Além do mais, já tem gente que faz isso com bastante competência e propriedade. Veja os dois blogs a seguir:

Conexão Paris: tem milhares de coisas sobre a vida turística e de todo dia de Paris. Muitas fotos, variedades e textos objetivos. Foi deste blog que tirei a foto que ilustra o post.

Paris Lado B: blog novo sobre coisinhas muy interessantes que não estão nos guias. Promete.

Camila Teixeira

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