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Antropologia do frio – II

Por outro lado, a gente vê coisas assim.

 

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Camila Teixeira

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Antropologia do frio

Agora que o encanto da neve passou, chegou a hora de desmarcarar essa lindeza. Porque ela, minha gente, não se engane, é a típica moeda de dois lados, ou a faca de dois gumes. Ou então aquela mocreia duas caras, na qual você sempre acreditou, e que falava mal de você no colégio. Bom, nem tanto. A neve não é uma mocreia. Aquela menina é que era.

Vamos aos poucos.

A neve é linda.

 

Um fenômeno fenomenal. Quando ela cai, faz tlim tlim tlim na sua imaginação e tudo parece pozinho de pirlimpimpim. O mundo é mesmo maravilhoso. Ela cobre os campos e cria aquele imenso tapete branco. Ela decora a copa das árvores, o telhado das casas e você tem a impressão de que, após uma noite de neve bem nevada, o dia acorda em paz. Você olha pela janela, dá um suspiro, vê os últimos flocos caírem. É como se o Edward Mãos de Tesoura estivesse na sua varanda talhando uma escultura de gelo só para você. Você se sente premiado por poder ver um espetáculo desse tipo. Você é tomado por um desejo louco de sair correndo porta afora, vestido apenas de seu pijama de bolinha, descalço, vento nos cabelos. Ou então cavalgando um alazão pelas ruas da cidade. Pocotó pocotó pocotó. A liberdade te chama. Venha, venha, venha!

E você vai. Pega o seu tapa orelha super estiloso estilo Princesa Leia do Star Wars, coloca o cachecol, duas meias, duas luvas, duas calças, 4 camadas de blusas, um sobretudo, as botas, e ainda precisa vestir o tigre, duas calças, um body, duas camadas de blusa, um casaco, um gorro, as luvas, o cobertor. Pronto, ah, a liberdade. Venha, venha. Eu tô querendo ir. Pego minha máquina fotográfica para registrar esses momentos lindos. Abro a porta, o tigre diz pipi, pipi. Para tudo, vai para o banheiro, tira tudo, troca o que tem que trocar, coloca tudo e vai. Agora vai. Coloca o tigre no carrinho e vai. Desce feliz. Abre a porta do hall e bate aquele vento gelaaaaaaaaaaaaaaaaaaado. Ai, que lindo, você pensa. A mais pura natureza! Abre a porta, vai para a rua e lá dá de cara com 30 cm de neve decorando lindamente sua calçada. Como o carrinho não passa, você volta para casa, troca o carrinho pelo porta-bebê estilo mochila, e vai. Venha, venha, venha – chama a liberdade, com sua voz sedutora. Eu tô indo, pô! Agora sim. Volta para a calçada e enfia o pé na neve, sem pensar. Melhor se fosse numa jaca. Porque a neve, o gelo, vai derreter com o calor do seu corpo. E aquela água vai gelar seu pé, seu calcanhar, sua panturrilha. Mas tudo bem, você quer registrar a beleza. E segue em frente. Só que os botões da sua máquina são pequenos demais para a espessura da sua luva. Nenhum comando que você dá é o correto. Você acha que está apertando o ISO e na verdade está apertando o Menu. Acha que está apertando o botão para abertura, e está apertando o Set. E você é obrigado a tirar a luva. Você consegue regular a máquina, tirar uma foto, mas seu dedo congelou e está vermelho e dolorido. Se continuar assim, ficará azul e a coisa vai ficar séria. Você esquenta sua mão no bafo, hooo, hooooo, hoooo, coloca a mão debaixo do braço, até esquentar de novo. Ao mesmo tempo, um princípio aquoso começa a escorrer pelo nariz. Nem vou comentar o martírio que é tirar um lenço de papel do pacotinho quando se está usando uma luva grossa. Continuemos, sim, a paisagem merece.

Você caminha e sente o ar frio entrando pelas suas narinas, fazendo guili-guili na sua garganta. E você tosse. Um pouco da neve que caiu já derreteu, mas como o frio é intenso, congelou de novo e formou um imenso bloco de gelo no meio do seu caminho. Você tenta atravessar, mas, bom, no gelo escorrega. E você quase cai para trás por escorregar na tal poça de gelo.

No exato momento que você pensa Ah, mas não tá tão frio assim, bate uma rajada de vento. É nessa parte da história que você entende o que é uma temperatura negativa. Junto com isso, suas meias começam a se deslocar no seu pé. E daí aquela costura grossa acaba indo direto para cima do seu dedinho. E fica para sempre e infinito a atritar nesse ponto sensível do seu corpo. Você não pode fazer nada, só exercitar sua paciência de monge.

Depois que você conseguiu tirar 5 fotos fora de foco, você se convence de que estão todas liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindas de morrer. Com sua musculatura dura, move teu esqueleto congelado de volta para casa, com cuidado para não se estatelar no chão.

Chega em casa, tira as 20 camadas de roupa, come um negocinho. Vai buscar o edredon no quarto para se refugiar num pouco de calor. Ele está lá, quentinho em cima da cama. Quando você o pega, leva uma sequência de choques por causa da energia estática acumulada na peça. Então, procura outra solução que é aumentar o aquecimento da casa. Com o aquecedor, o ar fica seco. E sua garganta idem. Não há água que resolva. Não há nada que resolva.

Neve, sua linda, já posso ir para Caraguá?

 

Camila Teixeira

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Festa

No último final de semana, nevou açúcar de confeiteiro. Na noite passada, foi clara em neve. Imagino a festança de aniversário que deve estar acontecendo lá em cima.

 

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Camila Teixeira

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Decoração

Hoje resolveu nevar açúcar de confeiteiro aqui onde moro.

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Camila Teixeira

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Nevou

Como previsto em post anterior, nevou. Foi a primeira primeira vez, desde que chegamos. Usei minha chapka e tudo. Realização total.

Aproveitei para tirar algumas milhares de fotinhas. Só que, para poupá-los, coloco aqui apenas algumas.

Moito lindo.

 

 

 

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Camila Teixeira

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