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Como nasce um livro

Vídeo curtinho, mas bonito, sobre a produção tradicional de livros.

 

 

Camila Teixeira

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Never let me go

Tenho pouquíssimo tempo livre no dia. Esse pouquíssimo tempo livre estava dedicando, em partes, a Never let me go, livro do Kazuo Ishiguro. Que mergulho, uma maravilha. Demorei 150 páginas para sair do ponto morto e engatar a primeira marcha na leitura. Mas depois que a primeira entrou, tive que passar logo para a quinta, de tanto que ela me pegou. De repente, me vi lendo enquanto escovava os dentes ou tomava café da manhã. É um quase-suspense, drama, ficção científica e romance de formação, ao mesmo tempo. Por outro lado, é difícil estabelecer o assunto principal, se é sobre a amizade, sobre a mentalidade humana, sobre o que seríamos capazes de fazer para diminuir nossas mazelas. Em todo caso, é uma ótima reflexão sobre o modo como apreendemos os acontecimentos que impactam nossa vida e formam nossa personalidade.

A trama de Never let me go acontece em dois níveis. O primeiro é a história da amizade entre Kathy, a narradora, Tommy e Ruth, todos alunos de Hailsham, uma escola muito especial dos confins da Inglaterra, desde a infância até chegarem aos 30 anos. O segundo nível, em evidência logo na primeira página, embora abordado com parcimônia pelo autor durante toda a narrativa, é sobre a doação de órgãos. O autor se serve do primeiro nível, ou seja, dos ritos de passagem, dos códigos secretos entre amigos e confidências entre eles para desenvolver em breves relances a dureza do segundo nível. A doação, que hoje vemos como algo nobre, é tratada de uma maneira misteriosa durante a narrativa e seu uso só é revelado nas últimas 50 páginas.

Embora no início eu tenha tido enormes dificuldades em acreditar na força da história, o autor conseguiu me fazer ter um pouco de fé no que ele queria contar. Que bom. O que me segurou foi sua habilidade para descrever cenas minimalistas, impressões conturbadas e sentimentos complexos com doçura e muita justeza. Fui fisgada pela maneira como ele manipula a decodificação de atitudes, gestos e palavras para justificar seu romance. Um exemplo. No livro, ele utiliza uma frase matadora – e que pode se aplicar à vida de qualquer pessoa – sobre a maneira como os alunos de Hailsham eram informados sobre o que aconteceria com eles no futuro. Kathy diz a Tommy:

Nós fomos informados sem ser.

Difícil não parar nessa frase e pensar no tanto que ela se aplica a qualquer situação difícil da vida real. Por pior que seja um acontecimento, não tem como escapar: nós fomos informados sem ser. É um conformismo duro de engolir, mas que é real.

Só que o fatality, o momento em que passei da primeira marcha para a quinta, foi a forma como Ishiguro desenvolveu a frase acima. Kathy conta:

Tommy achava que, durante todo o tempo que passamos em Hailsham, os guardiões escolhiam com bastante cuidado o momento de nos dizer cada coisa, de modo que fôssemos sempre um pouco jovens demais para entender corretamente a informação mais recente. Mas, claro, nós assimilávamos as ideias a um certo nível e, antes de muito tempo, todos esses dados entraram em nossas cabeças sem que tenhamos nos dado realmente conta.

Ô, o poder da doutrina. Os alunos de Hailsahm estão envolvidos num conjunto de pregações, faça isso, seja aquilo, você é muito importante para nós, recebem peça por peça de informação para que se transformem num belo produto a serviço da humanidade.

De novo, difícil não fazer um paralelo entre a maneira como eles são doutrinados e:

  • a forma como nós nos preparamos (ou não) para a vida adulta,
  • a forma como uma geração forma a seguinte,
  • a forma como as gerações se deixam formar,
  • a confiança que as gerações mais jovens deposita na logo anterior.

Never let me go é um livro repleto de nuances, de possibilidades de interpretação, além de ser um belo convite para pensar na forma como crescemos, fomos criados e educados. E sobre a forma como aceitamos tudo isso, como aceitamos, em partes, o horror. Ishiguro acerta em cheio: um mundo sombrio, mas com delicadeza.

Concordo com o autor. É realmente uma pena que, quando jovens e até mesmo quando adultos, a gente não tenha o discernimento necessário para parar tudo e começar de novo.

***

O filme foi adaptado para o cinema. No Brasil, foi chamado Não me abandone jamais. Acho difícil o filme ter a mesma profundidade do livro, já que ele revela logo de cara os segredos da trama. Mas verei, certamente. Adoro adaptações. Lá vai o trailer, mas cuidado. Ele revela mais do que deveria para quem quer ler o livro.

Camila Teixeira

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Coragem

Dia desses, vi o filme Comer, Rezar, Amar (o livro li ano passado, acho). Ontem terminei de ler  One Day. Há um ponto em comum nas duas histórias: a coragem de se desfazer de algo no meio do caminho e começar outra do zero.

Talvez esse seja um tema clássico dos 30 anos, época em que, normalmente, a gente tem inteligência intelectual e emocional para fazer um balanço sincero do que a gente fez da vida.

Não tenho muito a dizer a respeito, além de

  • como (não) é fácil fazer vista grossa sobre um descontentamento em nome da afeição que se tem por ele,
  • como é difícil viver essa contradição e
  • como é duro ver que tomamos uma decisão errada, que investimos tempo, dinheiro, energia e sentimento num caminho que pede retorno.

Nos dois casos, da desistência ou da persistência, é preciso coragem.

 

Atualização:

Lembrei. Esse tema também está em Vicky Cristina Barcelona.

 

Camila Teixeira

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Um dia

Eu achei que teria milhares de coisas para falar sobre One Day, livro do inglês David Nicholls, que terminei ontem. Eu achei que seria entusiasta, muito entusiasta ao falar sobre ele. Mas acho que não vai ser o caso, embora a obra tenha vários méritos, devo reconhecer.

O primeiro deles foi me fazer cruzar a barreira do “romance romântico”. Não é o tipo de leitura que me atrai, aliás, é o tipo de história que eu normalmente evito. One Day me fez superar esse bloqueio e, quando me dei conta, estava na página 239. Justiça seja feita, convivi feliz com a obra durante 4/5 da narrativa.

É um livro bem escrito e tem a vantagem de ser bastante enxuto. Isso faz com que a leitura seja fluida e alegre. O autor mostra rapidamente que as descrições que emprega têm uma utilidade ficcional e não são apenas um efeito decorativo.

Dexter e Emma são dois jovens que se conhecem no último dia da faculdade e tornam-se grandes amigos coloridos, embora nenhum deles admita isso para o outro. Outra vantagem é a simpatia dos personagens, mesmo aqueles que são construídos para causar desequilíbrio. Ninguém é odioso e, embora tenham suas chatices, são personagens reais e cativantes por seus dramas pessoais.

O livro conta como os protagnistas vivem os 20 anos seguintes a esse dia. Ou seja, é uma história sobre envelhecer, sem chegar à época da velhice; sobre o brilho da juventude e sobre as dificuldades de se tornar adulto; sobre a necessidade de fazer o que não quer para alcançar o que se desejou; ou sobre abafar a sinceridade no peito.

Parte do meu entusiasmo se foi no final da leitura. Ainda não sei se pelo desfecho em si ou se pelas opções que a vida oferece para uma história, seja ela ficção ou realidade.

De qualquer maneira, o livro correspondeu com sucesso ao que esperava para o momento: uma leitura leve e sem compromisso. Recomendo para os românticos e para quem quer respirar um pouco de juventude.

 

Camila Teixeira

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Tão sem tempo, tão atrasada

Em vários momentos, percebo o quanto meus conhecimentos cinematográficos estão atrasados. Só que hoje cheguei ao fundo do poço, ao ler n’O Globo que

  • Oskar Schell, meu herói forever de “Extremamente alto e incrivelmente perto”, do Jonathan Safran Foer, tem um rosto no cinema e que
  • a adaptação do livro está concorrendo ao Oscar 2012 na categoria de melhor filme.

De qualquer jeito, não verei esse filme, estou decidida, posto que não pretendo morrer afogada no meu mar de lágrimas. Já chega o que tive que segurar quando terminei de ler o livro. Também não quero que o meu Oskar Schell tenha um rosto diferente daquele que criei especialmente para ele na minha imaginação.

Meu Oskar é mais gordinho.

Por outro lado, essa trilha do U2 me diz que a sensibilidade da história pode ter derrapado para um chororô sentimentalóide, o que me faria chorar menos. Outro motivo para não ver.

Mas verei. Óbvio.

Camila Teixeira

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Swimmer Girls

É o nome do livro lançado em 2011 pela ilustradora americana Elizabeth Baddeley.

Na segunda ilustração, ela olha para o placar. Not fast enough.

Me identifico.

 

Todas as imagens foram copiadas do site dela. Mais do trabalho da artista, como aquarelas de paisagens de NY, aqui.

 

 

Totalmente afetivo.

 

 

Camila Teixeira

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Por dentro dos livros

Os livros são apenas as histórias que contam? Não para os artistas Brian Dettmer e Guy Laramée.

Os dois conseguem ver muito além do que os autores dizem e transformam livros antigos em esculturas. O primeiro trabalha principalmente com a composição de imagens de animais, da anatomia do corpo humano e de máquinas. O segundo parece preferir paisagens naturais.

Obras de Brian Dettmer

 

 

 

Guy Laramée

 

 

 

 

 

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Faroeste

Num dos próximos livros da minha lista de leitura encontrei a seguinte frase:

Deixei bem claro que a única maneira de obter uma das balas do meu revólver seria recebe-la bem no meio da testa.

Sensacional. Ansiosa pra começar.

Camila Teixeira

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