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Fio

Fazendo o post abaixo, me ocorreu.

Quando você para pra pensar, o tempo passou tão rápido que é quase natal. Ontem não existe mais, amanhã não existe ainda e aquela conversa mole de que a úncia coisa que existe é o agora é a mais pura verdade. Hm.

Hoje ouvi um negócio esquisito. Um homem no ambiente onde eu estava falou algo tipo: “na minha pessoa passada”, referindo-se ao passado dele, e não a uma outra vida da eternidade. Achei essa construção esquisita e curiosa. É como se ele, hoje, se distinguisse de quem foi. Com essa pequena construção, ele se separou completamente do passado dele. Achei, sei lá, mágico. E ousado. Tipo: como ele ousa se separar de quem foi com tanta leveza?

Para mim, a inércia, em sua definição Física (resistência que todos os corpos materiais opõem à modificação do seu estado de movimento), era a força soberana que governava nossa evolução. Com aquela frase esquisita, o tal homem resumiu que não.

A única coisa que nos liga ao passado é a memória. A única coisa que nos liga ao futuro é o desejo. Às vezes, fico contente com o fato de existirem.

 

Camila Teixeira

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GPS

Uma boa forma de medir a distância entre nós e um objeto de desejo é o grau de perfeição que atribuímos a ele. Quanto mais perfeito ele for, mais longe ele estará. Quanto mais perto, mais imperfeito ele será. Essa regra vale para tudo, exceto para sorvetes de pistache e menta, que são sempre perfeitos.

Chegar a essa conclusão é bastante tranquilizador. Ter esse sistema métrico a disposição facilita muito a localização de onde estamos no mapa dos nossos interesses. É também uma forma de separar com clareza o que já percorremos e o que ainda falta alcançar. Quando você perceber o imperfeito, é lá que você está. Quando você detectar a perfeição, é para lá que deve ir.

 

Camila Teixeira

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Considerações sobre a estupidez

“In order to move on, you must understand why you felt what you did and why you no longer need to feel it.”

Mitch Albom, Five People You Meet in Heaven

Há algum tempo, venho me interessando por esse fenômeno curioso que é a estupidez. A razão é simples: embora eu deseje do fundo da alma acreditar na lucidez e na bondade humana, e mais, quando eu consigo ter um vislumbre concreto dessas propriedades, vem o ser-humano, o próprio, e estraga tudo. Em situações mais graves, chego inclusive a me espantar quando percebo que o homem é capaz de algum tipo de amor e altruísmo sinceros.

Ao mesmo tempo, tenho plena consciência de que essa tarefa que me deleguei, a de compreender a estupidez, é ingrata, pois, já reparei, a estupidez é imprevisível. Ela surge onde menos se espera e brota no ser-humano como um herpes comportamental repentino e gigantesco. Mesmo assim, tento me convencer de que existem meios de apreendê-la.

Minha teoria sobre a estupidez é composta por três partes.

1. Causa

Estar vivo e ser humano.

2. Condições que favorecem sua ocorrência

O estresse. Assim como ocorre no herpes comum, a estupidez tem grandes chances de se produzir após uma forte descarga de estresse. Portanto, se você perceber que alguma pessoa está estressada em níveis alarmantes pode ter certeza de que dali nascerá uma estupidez.

A onipotência e a ignorância. Pessoas que acreditam possuir um poder superior, ou ainda os que ignoram por completo as regras de convivência social são mais propensas à estupidez.

3. Características e profilaxia

A. Im/Previsibilidade.

Ter em mente que a estupidez é imprevisível já seria uma forma de proteção contra seus golpes malignos. Quando a estupidez imprevisível chutar, já teremos o espírito preparado para amortecer, pelo menos, seu impacto. Outra forma de se preservar é, obviamente, esperar a estupidez dos estúpidos costumeiros.

De qualquer maneira, não dá para ficar muito feliz. Mesmo se conseguirmos nos defender do impacto, dificilmente conseguiremos nos proteger da sensação natural e corrosiva que geralmente sobe pela nossa espinha, diante de uma situação estúpida. Para conter essa sensação, só praticando a respiração diafragmática durante milênios.

B. Prazer e culpa.

A estupidez pode acarretar dois tipos de sensação ao estúpido. Se for um estúpido consciente do seu ato, é provável que a sensação resultante seja o prazer, ou até mesmo o orgulho. Já o estúpido por acidente possivelmente sentirá alguma forma de culpa.

C. As leis.

As leis deveriam nos proteger das formas mais graves de estupidez. Só que elas têm quatro problemas:

  • o estúpido não está nem aí para elas.
  • para o verdadeiro estúpido, as leis representam uma força que chega com lentidão após o ato estúpido, o que reforça o postulado acima. Isso se os envolvidos no caso, na tentativa de enquadrar o estúpido, também não forem estúpidos ao ponto de passar por cima, eles também, das leis que nos protegem (cof).
  • as leis são incompreensíveis em seu enunciado e talvez por isso ninguém as entenda/respeite. Temos aqui, ora, um excelente nicho que poderia, enfim, ser adotado como causa nobre pela publicidade. Se as leis fossem redigidas por publicitários, quem sabe até por jornalistas ou professores do primário, talvez pudéssemos esperar argumentos mais esclarecedores ou persuasivos e, portanto, apostar na decadência da estupidez, hoje, infelizmente, em alta.
  • a única lei que parece combinar com a lógica da estupidez (mas que não a justifica) é a lei da sobrevivência.

De qualquer maneira, parece que ainda não existe um aciclovir contra esse tipo de herpes. (Ora, veja, temos aqui um outro ramo que poderia render rios de dinheiro à indústria farmacêutica). Portanto, a única coisa que se pode tentar contra a estupidez é a distância. No mais, cuidar para que a corrosão que nos sobe pela espinha não se torne uma fonte inesgotável de estresse de forma a nos transformar em mais um herpes ambulante.

 

Camila Teixeira

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A função do gostar

Eu sempre penso se o que gosto sou eu que gosto de verdade. Ou se é o gosto de outra pessoa. Se você chegou aqui achando que o que gosta é gosto seu, sinto informar que nada ou pouco do que gosta você gosta porque simplesmente gosta. Porque o gostar, repare, é um ato de integração social. Poucas coisas podem ser tão maquiavelicamente manipuladas quanto o ato de gostar.

Complicado? Nada, boba. Funciona assim. Você gosta de um cara. Ele gosta de pudim de chá de boldo e de passar o domingo vendo pegadinha na televisão. Hm. Apesar disso, você gosta do sujeito. O que você faz? Um esforço descomunal para fingir que se interessa pelo hobby dele. E daí, cria-se a empatia, a semelhança, a proximidade, requisitos básicos para iniciar a relação amorosa que você deseja.

Ou então, meu amigo. Você está numa entrevista de emprego. Você precisa desesperadamente desse emprego. A empresa fabrica armas nucleares. Você odeia armas nucleares, mas precisa pagar suas contas ou morre porque tem um agiota bandido atrás de você. O que você faz? Diz que é fã do Rambo, do Comandos em Ação e que passou sua infância inteira jogando batalha naval.

É assim. A gente gosta porque o outro gosta, por conveniência, para parecer, por integração, porque precisa, por interesse, por vingança, por influência, para provocar, para disfarçar, por obrigação, para agradar, para impressionar, por costume, para não se sentir só.

Quanto do gostar é realmente puro, é realmente amor?

 

***

 

PS: Gostou do meu texto?

 

Camila Teixeira

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Técnicas para parecer interessante

Bom, finalmente você entendeu e aceitou que é uma pessoa desinteressante. Como diz minha mãe, pa-ra-béns. Para chegar a esse ponto, é preciso muita coragem e autoconhecimento, o que é bastante louvável. Se você chegou a esse ponto, deve estar se sentindo o último dos bobalhões. Talvez você realmente seja um bobalhão, mas, hoje em dia, não há nada que não possa ser revertido com um mínimo de empenho.

Após anos de observação social e virtual, selecionei cuidadosamente algumas dicas para você dar início a sua transformação, ao seu relook social. São conhecimentos fundamentais para que você possa construir seu novo eu. A lista é um pouco longa, mas a vida é assim, parecer interessante demanda trabalho e dedicação. E se você já sentiu preguiça antes de começar, sinto informar que você é um bobalhão irremediável.

Lá vai.

Quase toda pessoa interessante é uma farsa. Ou então tem mau hálito. Ou seja, elas não são o que parecem. Elas só parecem. Essa é a boa notícia, porque você também não precisará ser alguém interessante. Parecer será suficiente. Mas escove os dentes regularmente.

Tenha uma mania ou uma paixão, enfim, algo que fuja dos padrões da sua idade/círculo social. O clássico é colecionar cartazes de publicidade da antiga União Soviética. Mas você pode tentar outras opções, como praticar jardinagem, colecionar vinis (muito na moda), ler HQs ou graphic novel (altamente na moda), fazer pose de bom cozinheiro, ir a todas as exposições de artes da cidade, ver apenas filmes cults e alternativos, amar Paris, NY, Tóquio  (clássicos) ou qualquer outro lugar mais insólito, tipo Patagônia. O importante é ir fundo na opção que escolher e saber tudo sobre ela.

Faça da sua casa seu reduto sagrado. Dê uma limpeza geral, jogue os lixos fora (importante), mas guarde as antiguidades preciosas. Saiba distinguir antiguidades preciosas de lixo.

Goste do Woody Allen. Todo mundo que parece interessante gosta do Woody Allen (ou pelo menos diz que gosta). Allen é um grande consenso cultural e, ao dizer que gosta dos trabalhos dele, terá grandes chances de criar empatia com os interessantes. (E fique tranquilo, os interessantes só viram os últimos filmes e olhe lá. Portanto, se você disser que adorou um título realizado nos anos 70 vai estar abafando geral).

Use a palavra super antes da conjugação de um verbo (em alta). Exemplo: ele super sabe, ele super superou (evite essa formação & similares), ela super adorou, etc.

Faça críticas à programação de TV, mas atenção, BigBrother não é mais um bom alvo, já que os interessantes resolveram assumir que acompanham o reality show. Prefira as bizarrices que rolam de madrugada. Tenha o cuidado de passar uma noite em branco para saber o que passa no Corujão.

Não minta sobre as coisas que anda vendo. Não tenha medo de dizer que não viu algo (e aproveite para falar isso com ar totalmente blasé. Ser blasé vale ouro). Mentir sobre algo que não viu é queimar o filme para o resto da vida.

Acompanhe o twitter, mas não ouse tuitar. Sendo alguém desinteressante, você correrá sério risco de ser honesto, dizer uma bobagem desinteressante e, portanto, de queimar o próprio filme.

Faça de uma viagem até a esquina de casa parecer um mergulho na vida pulsante da cidade. Ou faça uma visita ao jardim público mais próximo parecer uma verdadeira imersão na natureza e no seu lado zen. Tire fotos (boas) e compartilhe (se ficarem ruins, faça retoques no photoshop).

Pratique um esporte diferente do futebol e fale sobre ele com brilho nos olhos (para tanto, é altamente recomendável fazer um curso de teatro).

Faça um curso de teatro para aprender a interpretar o papel de alguém interessante. Isso poderá te ajudar a se tornar uma pessoa interessante de verdade.

Nem todos os ricos são interessantes. Aliás, quase todos são chatos. Portanto, não se preocupe se você é um pé rapado. Aliás, hoje em dia ser pé rapado é glamour. Mas disfarce e faça parecer que seu estado pé rapado é uma opção e não sua situação.

Não fique falando sobre você, ainda menos se você é desinteressante. Só se transforme em assunto se os outros se interessarem espontaneamente por você (vai demorar).

Seja feliz. Ou pareça ser. Sempre funciona.

 

Camila Teixeira

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Quem sou eu – O túnel

Introdução, experimento n°1

Existe uma questão existencial historicamente deixada de lado que não pode mais ser ignorada. É preciso dar um basta nessa situação insustentável. Do alto da minha sabedoria compartilho com a humanidade, nesse instante iluminado e generoso, a tal questã, que é a seguinte: já que dificilmente conseguimos encontrar uma resposta sólida para o quem sou eu, façamos mais simples, com pequenos passos, levantando a pergunta – tchã-nãm – quem estou eu.

(Depoimento que concedo para eventuais estudos de caso): desde que comecei a me perguntar quem estou eu, meus problemas acabaram.

De fato. Observe atentamente. Quando se analisa o conjunto de respostas para esta pergunta  – quem estou eu – obtemos sérios indícios de respostas para o quem sou. Fácil, não?

Veja bem, o que nos falta é método.

Experimento n° 2, conclusão

Assistindo a um documentário sobre astrofísica, observei que a melhor maneira de compreender um conceito complexo é por meio de exemplos ilustrados. Aqui vai o meu sobre a resposta para o quem sou.

Imagine um túnel longo, alto e largo. Preencha-o com várias camadas de materiais diversos. Pedra, areia, concreto, barro, madeira, sal, papel picado, vapor, água, algodão, isopor, ar, etc. Cada camada equivale a uma fase do quem estou. Depois que o túnel estiver completo, imagine que a única coisa que você não acrescentou, mas que, misteriosamente está lá, foi um fino fio de seda. Ele está localizado no exato centro do túnel e o atravessa em toda sua extensão. Pois esse fio de seda é o quem sou. Nossa tarefa é atravessar todas as camadas para tentar encontrá-lo.

Simples, não? Só é um pouco trabalhoso. Mas, enfim, ‘tamo’ aqui pra isso.

De nada.

 

Camila Teixeira

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Aerodinâmica

Às vezes observo certos acontecimentos cotidianos e tenho a impressão de que o ser-humano não possui uma aerodinâmica espiritual totalmente adaptada à vida na terra.

 

Camila Teixeira

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A culpa é da paz

Você percebe que a pessoa chegou no limite da neurose quando ela pensa coisas do tipo:

 

Estar em paz é algo perturbador. Porque, veja bem, estar em paz significa que:

  • ou está tudo bem, tudo está em ordem, tudo está em dia;
  • ou que você descaradamente ignorou a existência de um problema pendente.

Nos dois casos, a paz simplesmente não pode existir pois:

a. sempre há ou haverá um problema a ser solucionado, nem que seja uma unha encravada;

b. “paz” e “problema” são dois estados que simplesmente não podem ocupar a mesma alma, assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.

Ou seja, se você se sente em paz, isso quer dizer que:

  • ou sua paz é uma farsa completa
  • ou é uma sensação sem fundamento
  • ou uma tremenda autoenganação

E convenhamos, se sentir em paz quando há uma pendência a ser resolvida é uma bela prova de que você não está nem aí para o mundo. E que você provavelmente já usou (com orgulho) aquelas camisetas de carnaval: sou da filosofia da vaca. C***ndo e Andando. Bonito, hein?

Mas, sabe, se você faz parte dessa corrente filosófica, tudo bem. Não há nada de errado nisso. E é até compreensível o alívio que essa filosofia é capaz de proporcionar ao espírito. É só viver em paz com a consciência de que está tudo bem.

 

Camila Teixeira

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Manual do Pessimismo

Ser pessimista facilita muitas coisas na vida. Ironicamente, essa é uma das únicas visões positivas que tenho do mundo. Com frequência, o pessimismo vem acompanhado de uma forte dose de ceticismo. Eu duvido que alguém discorde desse meu postulado. Aliás, para ser um pessimista premium, é fundamental duvidar de tudo e de todos, não confiar em nada nem ninguém e só esperar decepções de todos os vínculos que se tem com o existente.

Uma pessoa pessimista desfruta de diversas vantagens no decorrer dos anos. Acompanhe.

1. Redução das decepções: se você só espera o pior, dificilmente será perturbado pela desagradável sensação de frustração. O errado aconteceu e você, com grande perspicácia, já previa isso. Portanto, gastará menos energia lamentando o ocorrido.

2. Redução do grau de ingenuidade: se você só duvida e não confia, terá tendência a tornar-se uma mocreia para o seu próprio bem. O número de perguntas, dúvidas e suspeitas que levantará em qualquer tipo de relacionamento será tão imenso que, se o seu interlocutor tiver um mínimo de sensibilidade, desistirá logo de cara de te enganar. Exemplo aleatório numa padaria: Esse pão é de hoje mesmo? Tem certeza? Não é de ontem? Olha a carinha de adormecido dele. Dá uma apertadinha pra eu ver. Não, com a luva, né, meu bem. Agora no debaixo. No do lado. Naquele mais ao fundo. Não, no outro. É, não, não quero nenhum. – Pronto, resolvido o problema e você não vai ter a frustração, conforme mencionado acima, de ter um pão duro em casa, graças ao indispensável estado de espírito mocreia. E se você repetir esse mesmo procedimento todas as vezes que for à padaria, a atendente já vai te reconhecer e te dar o pão fresquinho logo de cara, aumentando o grau de praticidade da vida (outra vantagem do pessimismo). Particularmente, confesso que ainda tenho um pouco de dificuldade nesse quesito, já que, por cordialidade, evito ser muito mocreia de vez em quando. Um erro crasso. Acredite, nesses casos, tudo dá errado e acabo sendo passada para trás. Ainda preciso me empenhar mais nesse item do Manual do Pessimismo.

3. Aumento do grau da razão: se você é um pessimista, espera que tudo dê errado. Como a lei de Murphy realmente funciona, não é preciso insistir muito, tudo vai dar errado, com certeza. Nessas ocasiões de desventuras, em que você estará cercado de otimistas decepcionados, você poderá dizer soberana, do alto de sua razão: eu avisei. Não há nada mais saboroso do que ter razão.

4. Aumento no grau de alegrias: como um pessimista só espera que o pior aconteça, qualquer acontecimento que sair do esquema previsto (o erro) será motivo de esfuziante alegria. A sensação de alívio percorrerá seu corpo, causando o mesmo efeito que a atividade calmante e prazerosa de sua preferência tem sobre seus nervos.

5. Aumento do grau de precaução: como bom pessimista, você já espera que seu plano dará errado. Em função disso, com o objetivo de fazer sua vida funcionar, você, de antemão, terá preparado planos B, C, D e E (quando não mais) para aplicar logo após a falha do plano A. Um deles vai funcionar, se nada der errado.

6. Redução da necessidade de contar com a sorte: em função do item acima, dispondo de diversos planos elaborados com antecedência, a necessidade de contar com a sorte (que nunca funciona) será drasticamente reduzida. Repare: um pessimista jamais joga na loto, já que ele não conta com a sorte. Portanto, nunca vai ganhar e ficar rico, o que confirma sua teoria inicial: tudo dá errado – neste caso, com o diferencial de não apostar e nem pagar por isso.

 

Camila Teixeira

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Todo aprendizado dolorido

Às vezes, observo os eventos que costumam trazer algum tipo de sofrimento. Os mais frequentes, suponho, são: a perda, o machucado, o não, o aprendizado. Os três primeiros, ok, dá para entender o porquê, mas o último me chama atenção. Por que o aprendizado, não todos, tem que causar algum tipo de sofrimento? Se é para propiciar algo supostamente melhor, não deveria fazer mal. E por que não pode ser facilmente superado com um gole de toddynho gelado, ou com uma volta de roda gigante, por exemplo?

Daí a gente tem essa inteligência que, às vezes me parece, não serve para nada. Pelo menos não para nos livrar a testa de um galo. Eu me lembro quando estava na escola. Se não aprendia algo, levava uma reguada na cabeça. Ou então, ia passar vergonha pública no canto dos burros. Com isso, não é que eu aprendia o certo. Eu só aprendia a disfarçar melhor meu não-aprendizado.

Minha conclusão é que o sofrimento, com frequência, faz a gente aprender coisas erradas.

Se nem pra fazer a gente aprender a coisa certa o sofrimento serve, por que se sofre com o aprendizado?

 

Camila Teixeira

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