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Sinais do apocalipse

Meu computador esta agonizando. Essa noticia, para mim, é uma espécie de prenúncio de que o fim do mundo é uma probabilidade muito mais provavel do que provavelmente se supoe.

O que torna meu computador precioso é seu teclado brasileiro em terra estrangeira. E quem tem olho em terra de cego é rei. Til, entao, nem se fala E’ tipo um ser divino. Acento agudo, A direto no dedinho esquerdo, cedilha, ponto final sem precisar apertar shift. Esse conjunto de detalhes faz do meu computador um objeto raro-esmeralda. Nao ouso imaginar o caos caso ele decida evoluir na vida e entrar para a eternidade.

Nao bastasse isso, existe ainda um outro agravante. Expirou hoje a licença do meu dicionário digital. Se fosse so isso, tudo bem. O problema é que tempos atras fui possuida pelo TOC de organizaçao da minha irma (fato que, isoladamente, é otimo). So que, fiel ao costume familiar, arrumei tudo tao bem que nao sei onde guardei o CD de instalacao. E agora não posso renovar minha licença.

Nao posso simplesmente ignorar esse conjunto de sinais apocalipticos e adotar um carpe diem despreocupado. Nao posso simplesmente dizer tudo bem e ir dar um passeio para contribuir com o ciclo da fotossintese. Tem dias que o mundo é grave.

Estou temporariamente orfa do meu computador. O universo nao é o mesmo sem ele.

 

Camila Teixeira

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Guilhotina

Eu fiquei pensando no que desejar para 2012. Rapidamente, me dei conta de que não será um ano como os outros, afinal, será o ano do fim do mundo. Sendo assim, eu mudei minha pergunta. O que se deve desejar diante do fim? O que seria grandioso o suficiente para tornar o fim menos bruto, menos duro, menos guilhotina? Desejar ainda mais? Querer ainda mais? Obter ainda mais?

Justamente, pensei. O maior conforto que se pode ter diante da guilhotina é perceber que não se quer mais nada. Que tudo de bonito e bom já foi feito, obtido, realizado e partilhado. Que os dias vividos até agora foram suficientes para experimentar a vida. E sentir o conforto profundo de saber que foi uma vida bem vivida.

E se, de repente, por um milagre, a gente perceber que a guilhotina passou mas não cortou, poder pensar, ufa, ainda tenho mais um bônus. Uma extensão de tempo para desfrutar do que faz bem, para corrigir o erro, para seguir em frente. Um alívio extra, mas sem garantia de duração, afinal, a guilhotina é todo dia.

A sincera e honesta sensação de que o que vier é lucro.

Feliz fim do mundo.

 

 

Camila Teixeira

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