Arquivo da tag: filmes

Sobre filmes

Estou super em dia com o cinema, como já comentei anteriormente. Ontem, foi a vez de Vicky Cristina Barcelona.

Minhas motivações:

  • o insuperável e marabilhôsso Javier Bardem
  • verificar se minha opinião sobre os filmes de Woody Allen permanece a mesma (bons motes, mas cenas e diálogos irritantes)
  • um pouco de leveza
  • tirar o atraso das novidades

Gostei dessa cena. Justifica bem o perfil dos personagens.

Verificações obtidas:

* Javier continua sensacional. O primeiro filme dele que vi foi Carne Trêmula, no qual ele interpreta um rapaz que, após um acidente, torna-se um cadeirante sedutor e de sucesso. Ele sensacional. Depois vi Mar Adentro, no qual ele interpreta um lindo rapaz que fica paraplégico num acidente no mar. Ele muito sensacional. Como Chigurg, consegue ficar extremamente feio e assustador. Ele sensacional³. Em VCBarcelona, carrega quase o filme todo nas costas, assim como nos outros títulos.

* Pela primeira vez, consigo ver um filme do Woody Allen sem me irritar com aquelas cenas de diálogos insuportáveis. Eu achei que fosse acontecer logo no início, quando Vicky e Christina almoçam com o casal que as recebe em Baracelona. Felizmente, quando tive a sensação de déjà vu, o diálogo foi interrompido pela cena seguinte. Ufa.

* Por outro lado, a narração em off prejudica. Se esse recurso funciona bem na literatura, no cinema parece uma opção preguiçosa. Por exemplo. Tem uma cena importante, na qual Scarlett Johansson reflete sobre sua relação com Bardem e Penelope Cruz. A narração em off diz apenas que ela revê seus conceitos. Na cena seguinte, ela aparece e termina o relacionamento com o casal. Acho que seria interessante saber o que ela pensou, e não apenas que ela pensou. E o mesmo buraco se repete em todas as cenas de off. A gente releva, porque é um filme leve. Mas, a rigor, a estrutura ficou bem bamba.

* O mérito de VCBarcelona é que o filme dá uma vontade forte e súbita de viver.

* Estou um filme a menos atrasada.

 

Camila Teixeira

Anúncios
Etiquetado , , , , , , ,

Sobre filmes

Depois de vários meses na secura, consegui, aleluia, ver alguns filmes que estavam na minha listinha de imperativos.

***

Por uma grande coincidência do destino, um deles resumiu em duas linhas o que eu levei um post inteiro para dizer. Logo no início, o protagonista se apresenta mais ou menos assim:

A maioria das pessoas acredita que no planeta inteiro não existe ninguém como elas. Esse pensamento é o que as faz sair da cama, comer e andar por aí, como se estivesse tudo bem. Meu nome é Oliver Tate.

O filme é Submarino, que passou recentemente no Brasil.

Eu tenho três problemas com essa introdução.

A primeira (vide post Mil Planetas): ele usa a expressão: “a maioria”. Pessoalmente, me esforço para não ser como a maioria. E olha, vou te dizer, é um esforço espiritual bastante exaustivo esse de tentar não ser como todo mundo. Procuro cultivar minhas esquisitices com muito carinho. O fato dele dizer que a maioria das pessoas pensa como eu é sinal de que meu plano não está dando nada certo. Conclusão: preciso rever os meus conceitos com urgência.

A segunda: preciso apurar meu espírito de síntese. Também urgente.

A terceira: eu não entendi direito o uso que o diretor quis fazer dessa introdução. Com o desenrolar da história, não consegui saber se o diretor busca confirmar ou refutar aquela ideia no perfil do personagem. Oliver Tate se acha único? Na história, ele é um garoto comum, com problemas familiares, apaixonado por uma garota cheia de manias. Isso quer dizer que se achar único é um grande engano, já que todo mundo passa ou passou mais ou menos pelos mesmos problemas? Ou aquela foi só uma frase de efeito para capturar a atenção do público? Socorro.

No mais, é um filme fofo. Achei alguns cenários interessantes, como namorar numa banheira largada no meio de um depósito abandonado, a busca por um amor não-romântico, armar um primeiro beijo cinematográfico e fotografá-lo com uma polaroid (achei romântico), ou encontrar um amor piromaníaco.

***

Inception

Nem vou me dar o trabalho de resumir ou resenhar o filme. Tudo está aqui. Direi apenas que fiquei completamente cativada pela história, apesar de um pouco confusa, mas bem explicada, embora cheia de camadas, todavia, bem amarradas. É. Cada vez mais gosto do Leonardo diCaprio, mais homem, menos menino, e isso desde O Aviador. Ellen Page está melhor em Juno. Às vezes, queria que Michael Caine fosse meu quarto avô (o terceiro é Saramago). Christopher Nolan se recuperou de vez de Memento e confirmou de vez The Dark Knight. E nunca, jamais no infinito vou me recuperar da cena final. O totem está estável ou instável?

***

Meia noite em Paris

Quer ter aula sobre arte, criação e escrita? Faça um cursinho intensivo com Woody Allen nesse filme. O diretor dá várias dicas imperdíveis de como criar, escrever e contar uma boa história. A que mais me marcou foi a seguinte:

Tememos a morte e questionamos o nosso lugar no universo. A tarefa do artista não é sucumbir ao desespero, mas encontrar um antídoto para o vazio da existência.

Também adorei Adrien Brody como Salvador Dali. Papel pequeno, mas de impacto.

No mais, as características que me fazem gostar menos dos filmes dele estão todas ali: uma gesticulação excessiva do protagonista e aquelas cenas chatas de diálogo de grupo, irritantemente orquestradas.

E que cartaz nada a ver com a história é esse? O oficial sim é bonito, embora não me lembre de ver o Van Gogh ser citado no filme.

Apesar disso, é uma boa diversão. Descontraído.

***

Árvore da vida

Bem poético, imagens lindas. Uma construção muito pessoal e minuciosamente dirigida pelo Terrence Malick.

Só não entendi o que o Sean Penn estava fazendo ali, ainda mais com aquele traço de lápis estranho delineando o olho. Jim Caviezel teria sido de melhor proveito. O mesmo vale para Brad Pitt. A presença dele me soa como um ruído no filme. Um ator mais alternativo teria surtido um efeito melhor.

 

Camila Teixeira

Etiquetado , , , , , , , , , , ,