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Festival Internacional da HQ – II

No site do evento também foi publicada uma materinha sobre o ilustrador/carimbador Vincent Sardon, que terá suas obras em exposição. O texto diz:

Ele foi ilustrador dos jornais Libération e Le Monde. O tempo passa rápido demais para o artista Vincent Sardon. ‘Essa é uma profissão sem memória. Meu desenho, alguns dias ou meses mais tarde, não tinham mais sentido‘.

Acho curioso ele falar isso. Esses dias mesmo, o Trabalho Sujo recuperou uma ilustração de 2008 do Angeli que se encaixa com perfeição no noticiário atual brasileiro. Para o aniversário de São Paulo, o cartunista Jean Galvão recuperou uma charge do ano passado. (Talvez porque as coisas no Brasil não mudem e, na França. sim. Anotado para divagações futuras). O fato é que essa sensação de pensamento datado é que motivou Sardon a gravar suas ideias em carimbos. Ele conta que essa forma de expressão surgiu sozinha e de repente. “Antes, eu me expressava por meio da HQ. Hoje em dia, em carimbos, em texto. É quase um automatismo”.

Seus primeiros carimbos, criados nos anos 90, foram feitos a mão. Hoje, são feitos por uma máquina. “Ela me permite utilizar fotos e diversos elementos iconográficos, como logotipos, publicidade, imagens pornográficas, e toda a loucura visual que nos invade atualmente”. Ele diz ainda: “gosto da ideia desses objetos que fazem rir e que, ao mesmo tempo, têm um potencial de agressão. Eles permitem expressar nossas neuroses e nossos impulsos mais primários.”

De fato. As mensagens de Sardon são, no mínimo, uma afronta. Dedo médio, “coma os vegetarianos”, muitas imagens de sexo, “sua mulher te trai”. Todo tipo de proposta frustrante ou de fracasso que se pode imaginar está entre os carimbos do artista. Na imagem que ilustra a matéria do site do festival, o carimbo diz: “Nós temos o prazer de informar que publicaremos sua autobiografia. Mas que ela não mudará em nada sua vida de merda”.

O mais recente criado por Sardon foi um cartão postal que mostra a foto de Nicolas Sarkozy com a legenda “O  antigo presidente” (sendo que Sarkozy deve se reapresentar nas eleições desse ano).

No site dele, ele conta que está fazendo um estudo junto com um pâtissier (confeiteiro) para fabricar biscoitos deprimentes (sensacional, comprarei).

Você está envelhecendo mal. Renuncie. Perca toda ilusão.

Desde 2007, Sardon vem compilando suas criações que farão parte de um livro previsto para ser publicado a partir de março.

O blog Tampographe Sardon : http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/

Camila Teixeira

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Festival de HQ de Angôuleme – I

No site do Festival, já estão disponíveis algumas fotos e informações sobre os preparativos do evento. Selecionei algumas que achei legais e que me fazem desejar profundamente estar em dois lugares ao mesmo tempo. Na galeria abaixo, estão imagens de alguns carimbos de Vincent Sardon, Art Spiegelman, figuras da exposição Di Rosa Magazine e da exposição HQ sueca.

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Todas as fotos foram tiradas no site do evento. © FIBD, Jorge Fidel Alvarez / 9art+

Camila Teixeira

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Festival Internacional da HQ

É realmente uma pena a gente não ser dotado da capacidade de se teletransportar ou estar presente em dois lugares ao mesmo tempo. Se tivéssemos esses poderes, muy convenientes para nossa época, nos próximos dias 26 a 29 me deslocaria para Angôuleme, sudoeste da França, onde acontecerá a 39ª edição do tradicional Festival Internacional da HQ.

 
Minha programação, se executada com sucesso, me permitiria tirar um peso da consciência e ainda me traria conforto para a urticária da curiosidade. Eu convidaria, por exemplo, Chris Ware para tomar um café. Na ocasião, confessaria toda minha dificuldade em ler Jimmy Corrigan por causa da tristeza do personagem. E lhe perguntaria Why so sad?

Hein, Chris?

Ou então, visitaria a exposição A Europa se Desenha, composta por 50 criações de 27 artistas da comunidade europeia, sobre a vida como ela é por aqui.

 
Ou visitaria a exposição dedicada a Art Spiegelman, autor de Maus, para conhecer melhor sua obra sobre o holocausto. Ou ainda iria testemunhar o mundo imaginário do ilustrador e carimbador Vincent Sardon.

 

Eu tentaria assistir ainda, nos Encontros Internacionais, a intervenção de Joe Sacco, que publicou recentemente um livro-reportagem em quadrinhos (Reportages, em francês), no qual faz um panorama sobre as guerras da antiga Iugoslávia e Iraque, dando voz aos refugiados e imigrantes.

 
E ainda visitaria o pavilhão Jovens Talentos para dar uma sondada no que a molecada vem criando de novo.
Mas como ainda não fomos dotados de poderes extraordinários, tenho de me contentar com nossos limites ordinários. Todavia, pretendo, na medida do possível,  a) acompanhar as novidades do evento e b) publicar meus comentários aqui.

 
Inté.

 

 

Camila Teixeira

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