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Mudaram as estações

Eu sempre quis ver a florada das cerejeiras. Durante anos, guardei esse desejo como quem guarda um bilhetinho valioso dentro de uma caixinha antiga mais valiosa ainda. Era um desejo guardado lá no fundo, junto com a certeza de que ele não se realizaria.

Até que na semana passada, as seis árvores que ficam na frente do meu prédio acordaram floridas. Depois de seis meses de secura e de galhos pontudos, os primeiros botões da primavera se abriram. Não sou especialista em flor, nem em árvores. Portanto, não posso afirmar que as árvores da frente da minha casa são cerejeiras. Mas a semelhança entre elas me faz dizer que meu desejo foi totalmente realizado.

Camila Teixeira

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Guilhotina

Eu fiquei pensando no que desejar para 2012. Rapidamente, me dei conta de que não será um ano como os outros, afinal, será o ano do fim do mundo. Sendo assim, eu mudei minha pergunta. O que se deve desejar diante do fim? O que seria grandioso o suficiente para tornar o fim menos bruto, menos duro, menos guilhotina? Desejar ainda mais? Querer ainda mais? Obter ainda mais?

Justamente, pensei. O maior conforto que se pode ter diante da guilhotina é perceber que não se quer mais nada. Que tudo de bonito e bom já foi feito, obtido, realizado e partilhado. Que os dias vividos até agora foram suficientes para experimentar a vida. E sentir o conforto profundo de saber que foi uma vida bem vivida.

E se, de repente, por um milagre, a gente perceber que a guilhotina passou mas não cortou, poder pensar, ufa, ainda tenho mais um bônus. Uma extensão de tempo para desfrutar do que faz bem, para corrigir o erro, para seguir em frente. Um alívio extra, mas sem garantia de duração, afinal, a guilhotina é todo dia.

A sincera e honesta sensação de que o que vier é lucro.

Feliz fim do mundo.

 

 

Camila Teixeira

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