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Drive

Mais uma vez o problema da expectativa. Ouvi tanta coisa sobre Drive, que estava esperando algo bombástico. É um bom filme, é verdade. O  roteiro é original, o cenário simples destaca ainda mais a atuação dos atores, todos ótimos, a trilha sonora incrível e suave equilibra com a violência da história. Ryan Gosling, que normalmente acho sem graça, é o verdadeiro suspense encarnado e está incrível com suas frases curtas e expressões carregadas de ambiguidade.

 

Acharei uma jaqueta dessa pra mim.

No filme, Gosling trabalha numa oficina mecânica, além de ser um motorista profissional, que atua como dublê de capotagem de carro e motorista em assaltos. Ele se encanta com sua vizinha, casada com um ex-presidiário, a quem tenta proteger a todo custo, inclusive se colocando em perigo.

Drive tem tudo para ser um cult, com a jaqueta de escorpião do personagem de Gosling, sua luva de couro e seu sapato estiloso, os apelidos motorista e cozinheiro, a máscara de borracha, o timing e os enquadramentos das cenas de violência milimetricamente pensados, o autocontrole do motorista, a cena romântica no elevador antes do duplo ataque, o palito no canto da boca, o marginal engomadinho, o romance não dito, a tensão em cada cena. Quando paro para pensar agora, tudo é legal.

Mas.

Para mim, faltou uma costura melhor a partir do pico da trama, quando um assalto que tinha tudo para correr “tranquilamente” acaba derrapando e tudo dá errado. O “quem sabe o que sobre quem” me pareceu um pouco confuso.

Li muitas referências à violência do Tarantino, por isso, acho que estava esperando algo mais intenso, mais rasgado. Pessoalmente, não vi nada de Tarantino na história – o que achei bem inteligente da parte do diretor, o dinamarquês Nicolas Winding Refn.

E, sei que é irrelevante, mas achei a escolha da fonte utilizada no cartaz, estilo Brush do MS Word, bem infeliz. E isso influencia tudo.

Eu sou uma chata, mesmo.

Lá vai o trailer.

 

 

Mas gostei. Indico.

 

Camila Teixeira

 

 

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Um dia

Eu achei que teria milhares de coisas para falar sobre One Day, livro do inglês David Nicholls, que terminei ontem. Eu achei que seria entusiasta, muito entusiasta ao falar sobre ele. Mas acho que não vai ser o caso, embora a obra tenha vários méritos, devo reconhecer.

O primeiro deles foi me fazer cruzar a barreira do “romance romântico”. Não é o tipo de leitura que me atrai, aliás, é o tipo de história que eu normalmente evito. One Day me fez superar esse bloqueio e, quando me dei conta, estava na página 239. Justiça seja feita, convivi feliz com a obra durante 4/5 da narrativa.

É um livro bem escrito e tem a vantagem de ser bastante enxuto. Isso faz com que a leitura seja fluida e alegre. O autor mostra rapidamente que as descrições que emprega têm uma utilidade ficcional e não são apenas um efeito decorativo.

Dexter e Emma são dois jovens que se conhecem no último dia da faculdade e tornam-se grandes amigos coloridos, embora nenhum deles admita isso para o outro. Outra vantagem é a simpatia dos personagens, mesmo aqueles que são construídos para causar desequilíbrio. Ninguém é odioso e, embora tenham suas chatices, são personagens reais e cativantes por seus dramas pessoais.

O livro conta como os protagnistas vivem os 20 anos seguintes a esse dia. Ou seja, é uma história sobre envelhecer, sem chegar à época da velhice; sobre o brilho da juventude e sobre as dificuldades de se tornar adulto; sobre a necessidade de fazer o que não quer para alcançar o que se desejou; ou sobre abafar a sinceridade no peito.

Parte do meu entusiasmo se foi no final da leitura. Ainda não sei se pelo desfecho em si ou se pelas opções que a vida oferece para uma história, seja ela ficção ou realidade.

De qualquer maneira, o livro correspondeu com sucesso ao que esperava para o momento: uma leitura leve e sem compromisso. Recomendo para os românticos e para quem quer respirar um pouco de juventude.

 

Camila Teixeira

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Sobre filmes

Estou super em dia com o cinema, como já comentei anteriormente. Ontem, foi a vez de Vicky Cristina Barcelona.

Minhas motivações:

  • o insuperável e marabilhôsso Javier Bardem
  • verificar se minha opinião sobre os filmes de Woody Allen permanece a mesma (bons motes, mas cenas e diálogos irritantes)
  • um pouco de leveza
  • tirar o atraso das novidades

Gostei dessa cena. Justifica bem o perfil dos personagens.

Verificações obtidas:

* Javier continua sensacional. O primeiro filme dele que vi foi Carne Trêmula, no qual ele interpreta um rapaz que, após um acidente, torna-se um cadeirante sedutor e de sucesso. Ele sensacional. Depois vi Mar Adentro, no qual ele interpreta um lindo rapaz que fica paraplégico num acidente no mar. Ele muito sensacional. Como Chigurg, consegue ficar extremamente feio e assustador. Ele sensacional³. Em VCBarcelona, carrega quase o filme todo nas costas, assim como nos outros títulos.

* Pela primeira vez, consigo ver um filme do Woody Allen sem me irritar com aquelas cenas de diálogos insuportáveis. Eu achei que fosse acontecer logo no início, quando Vicky e Christina almoçam com o casal que as recebe em Baracelona. Felizmente, quando tive a sensação de déjà vu, o diálogo foi interrompido pela cena seguinte. Ufa.

* Por outro lado, a narração em off prejudica. Se esse recurso funciona bem na literatura, no cinema parece uma opção preguiçosa. Por exemplo. Tem uma cena importante, na qual Scarlett Johansson reflete sobre sua relação com Bardem e Penelope Cruz. A narração em off diz apenas que ela revê seus conceitos. Na cena seguinte, ela aparece e termina o relacionamento com o casal. Acho que seria interessante saber o que ela pensou, e não apenas que ela pensou. E o mesmo buraco se repete em todas as cenas de off. A gente releva, porque é um filme leve. Mas, a rigor, a estrutura ficou bem bamba.

* O mérito de VCBarcelona é que o filme dá uma vontade forte e súbita de viver.

* Estou um filme a menos atrasada.

 

Camila Teixeira

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