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Depressões e embutidos

O pior tipo de depressão é a depressão gástrica apetitósica. Funciona assim. Com ela, você continua vivendo consciente de todas as delícias do mundo e do formidável prazer que te proporcionariam durante uma interação mundana. Mais: você continua desejando essas delícias. Só que o buraco negro que gira numa velocidade alucinante na altura do seu abdome causa sérios efeitos colaterais nos cinco sentidos que utilizamos para experimentar o mundo. A consequência mais drástica é a ojeriza por algo que, num estágio normal da existência, adotaríamos. Ou seja, na depressão gástrica apetitósica, você evita o que quer, não quer o que deseja. Já na depressão nervosa, tudo é muito mais simples. Você não quer o que não quer. E está tudo bem, não há contradição. E não há nada pior do que não querer algo que se quer (sim, há pior, mas, em nome da coerência do post, aceitemos o fato de que não há nada pior do que não querer o que se quer).

Por outro lado, há uma certa sabedoria embutida na depressão gástrica apetitósica. É uma boa forma de despertar para a consciência de que, em muitos casos, embora não soframos dessa moléstia no cotidiano, seus sintomas parasitam nosso comportamento diário. Evitamos o que queremos.

É, é. É uma pena ter que passar por uma depressão gástrica apetitósica para obter alguma iluminação na vida. A conta da iluminação às vezes é um pouco salgada. Ou dá náuseas. Mas, enfim, passa. Saúde!

Camila Teixeira

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Todo aprendizado dolorido

Às vezes, observo os eventos que costumam trazer algum tipo de sofrimento. Os mais frequentes, suponho, são: a perda, o machucado, o não, o aprendizado. Os três primeiros, ok, dá para entender o porquê, mas o último me chama atenção. Por que o aprendizado, não todos, tem que causar algum tipo de sofrimento? Se é para propiciar algo supostamente melhor, não deveria fazer mal. E por que não pode ser facilmente superado com um gole de toddynho gelado, ou com uma volta de roda gigante, por exemplo?

Daí a gente tem essa inteligência que, às vezes me parece, não serve para nada. Pelo menos não para nos livrar a testa de um galo. Eu me lembro quando estava na escola. Se não aprendia algo, levava uma reguada na cabeça. Ou então, ia passar vergonha pública no canto dos burros. Com isso, não é que eu aprendia o certo. Eu só aprendia a disfarçar melhor meu não-aprendizado.

Minha conclusão é que o sofrimento, com frequência, faz a gente aprender coisas erradas.

Se nem pra fazer a gente aprender a coisa certa o sofrimento serve, por que se sofre com o aprendizado?

 

Camila Teixeira

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