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Papo de louco, de homem, de fantasma, de HQ – e de livros

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Queridos amigos que assistiram a Interstellar, do Christopher Nolan,

Tenho uma dúvida que está comprometendo minha apreciação do filme. Não farei resenha, nem resumo. Não falarei de erros ou acertos. Por enquanto, a única informação que importa é: saí da sala de cinema como quem sai do interior de um sino gigante que acaba de dar doze badaladas. Béééímmm. Béééééimmm. Béééééimmm.

A minha dúvida está relacionada ao fantasma da Murph. (Pare de ler aqui se você ainda não viu e pretende ver o filme).

Bom, certo. O fantasma é o Cooper. O Cooper-futuro/fantasma está no passado para dizer a si mesmo para não partir & dar outras instruções. Só que:

Ele só envia essa mensagem porque, num futuro não tão distante/mundo paralelo, ele está em perigo. Aquela mensagem só existe porque ele está no espaço/em outra dimensão. E ele só está lá por que ele, do futuro, enviou uma mensagem ao passado. Ou seja, não dá. Veja: ele só viaja porque Cooper-futuro-fantasma manda uma mensagem a si mesmo (passado) dizendo para não viajar.

(Nota mental: pensando assim, seria realmente providencial se nosso eu-futuro viesse de vez em quando nos dar uns toques, tipo, de boa, para que evitássemos algumas cagadas no presente. Ou seja, não é a bola de cristal que tem que consultar. É o tesseract. Ha-ha-ha. Não, péra. Não foi engraçado).

Enfim. Meu problema não está na maneira como ele envia a mensagem, nem com os códigos binários, nem com o problema da gravidade, nem com a outra dimensão. Meu problema é a ideia de que o Cooper-futuro é a origem da decisão do Cooper-passado. Só que: para que o Cooper-futuro/fantasma exista, o Cooper-passado precisaria ter tomado sua decisão de partir para o espaço baseado em outros elementos diferentes da mensagem que o Cooper-fantasma deixou.

Não sei se estou sendo clara, mas vou tentar reescrever: Cooper-fantasma só existe porque Cooper-passado decidiu viajar. Ou seja, a existência do Cooper-fantasma é uma consequência da decisão do Cooper-passado. Portanto, Cooper-fantasma não pode estar na origem da decisão do Cooper-passado. Para que o Cooper-futuro exista, é preciso ter existido um momento zero, independente da existência do Cooper-fantasma, em que o Cooper-passado decide viajar, para que, somente então, o Cooper-fantasma possa existir e mandar mensagens do além.

Papo de louco, né. Alguém me explica que estou errada?

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E tem mais um outro detalhe. Seria muito pensar que a escolha do nome “Dr. Mann” para o “vilão” não foi uma escolha aleatória e sim um fofo trocadilho? Teria o Nolan pensado em mandar algum recadinho (mais um) para o “homem”?

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Agora o momento nhóimmmm.

Acabei de ver que o Nolan pensou num prequel para a trajetória do Dr. Mann. E está em formato HQ (uoooiiin) na Wired digital de novembro. Achei fofo querer nos dar satisfação sobre o malvado. Ainda mais em quadrinhos. Lá vai.

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Você viu a timeline do filme, né?

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ATUALIZAÇÃO – ORGENTE

E se você, como eu, quis saber quais livros estavam na estante da Murph, aqui vai uma listinha comentada pelo Nolan (<3). Espero ter tempo pra traduzir alguns trechos.

Camila Teixeira

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Você já forjou um Cof para chamar atenção dos outros?

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