Kanagawa, quem sabe

Fico pensando onde deve ter ido parar meu senso crítico. Faz tempo que não o vejo, faz tempo que não vem tomar um café comigo, faz tempo que não vem colocar minhocas na minha cabeça. Por certo, tirou férias e resolveu ficar por lá, um lugar mais interessante do que aqui – suponho -, sem mandar nem um cartão postal. “Estou aqui e aviso que essa é a última vez que me lembrarei de você. Não sinta minha falta, pois o inverso não ocorrerá. Adeus para sempre, adeus”, ele escreveria, certamente. Deve ter encontrado terra fértil para plantar suas teorias sem pé nem cabeça em terras em que tudo dá, inclusive abobrinhas, sua especialidade. Sorte dele.

Enquanto isso, fico aqui, cabeça dura, com saudades de sua animação, de quando era meu amigo, meu companheiro fiel de toda hora, que me embarcava em suas ondas, em seu vai e vem, em seus altos e baixos, em suas urgências e agoras, em suas nuances que me permitiam distinguir cinza claro e cinza escuro, ou então misturar sem culpa diferentes tons de rosa – mesmo o rosa sendo a última das cores na minha escala de preferências. Enquanto isso, fico aqui, desenterrando minhocas, reorganizando cores, arrumando postais, cozinhando abobrinhas e observando de longe o movimento dos tsunamis.

 

Camila Teixeira

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