Arquivo mensal: agosto 2012

I tried so hard

6h da manhã é o melhor horário pra ouvir rádio. As playlists são infinitamente superiores ao que se ouve durante o dia. No fim da madrugada, as músicas dão um clima de fim de festa que, mesmo se você não se matou de fazer festa durante a noite inteira (meu caso há anos), você tem a nítida impressão de ter sido o rei da balada (meu caso de novo). Acho generosa essa sensação de ter feito algo legal que você, de fato, não fez. I tried so hard.

 

 

Melhor descoberta.

 

Camila Teixeira

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Aviso

Comecei um Tumblr com um resumo das minhas fotos & outras imagens.

Vai lá.

 
Camila Teixeira

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WE

 

 

 

 

 

 

 

 

E ainda com sorvete de pistache.

 

Camila Teixeira

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GPS

Uma boa forma de medir a distância entre nós e um objeto de desejo é o grau de perfeição que atribuímos a ele. Quanto mais perfeito ele for, mais longe ele estará. Quanto mais perto, mais imperfeito ele será. Essa regra vale para tudo, exceto para sorvetes de pistache e menta, que são sempre perfeitos.

Chegar a essa conclusão é bastante tranquilizador. Ter esse sistema métrico a disposição facilita muito a localização de onde estamos no mapa dos nossos interesses. É também uma forma de separar com clareza o que já percorremos e o que ainda falta alcançar. Quando você perceber o imperfeito, é lá que você está. Quando você detectar a perfeição, é para lá que deve ir.

 

Camila Teixeira

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All that you cant leave behind

As vitrines francesas têm uma vantagem e um grande problema. Quando digo vitrine, falo principalmente dos mercados das pulgas e dos bouquinistas de Paris. A vantagem é que, geralmente, são lindamente decoradas. O grande problema é a dificuldade para tirar foto delas – os proprietários não deixam. Ainda não consegui achar uma explicação para o fato de que vendedores franceses não gostam de ter suas mercadorias fotografadas. Ó vida.

 

 

Depois de várias experiências frustradas, concluí que tirar fotos de vitrines francesas proporciona uma sensação semelhante àquela que antecede um delito. Não que eu seja uma delinquente de primeira linha. Mas o fato é que essa modalidade fotográfica me causa a mesma sensação que me faz evitar um delito. É uma aventura arriscada, um coração que vem na boca, uma falta de jeito, um frio na barriga, um medo de que o proprietário da mercadoria me pegue no flagra e venha descontar seu mau-humor sobre mim com um “não pode” seco e carrancudo.

 

 

Fui até obrigada a desenvolver métodos para conseguir tirar algumas fotinhas valiosas. Método número um: tirar a foto e sair correndo. Dois: deixar tudo programado, esperar o proprietário virar as costas e fazer o click no vacilo dele. Três: dar de louca e fingir que não entendo nada. Quatro: tirar foto com os olhos e guardar a imagem na memória. Cinco: enfrentar o proprietário.

 

 

Um tempo atrás, teve um mercado das pulgas na cidade onde moro. Eu estava em estado de graça, tentando recriar naquelas fotos o cheiro do doce queimado que minha vó fazia. Até que um senhor, o proprietário, veio e brigou comigo: “não pode tirar foto”. Minha alegria foi partida ao meio, na guilhotina, sem que eu tivesse qualquer chance de defesa.

 

 

Episódios como esse se repetiram várias vezes desde então. Fotografar vitrines virou um esporte de alto risco para mim. A verdade é a seguinte: alguns saltam de parapente. Eu tiro foto de velharias de velhinhos ranzinzas em feiras ao ar livre. A adrenalina resultante é a mesma, tenho certeza.

 

 

Ainda tento entender por que os proprietários não gostam de ter seus produtos fotografados. Talvez não queiram dividir seus pertences com ninguém, apenas vender.

Não sei como essa gente consegue se desfazer de coisas assim.

 

Camila Teixeira

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