Romantismo em Paris

Vamos deixar uma coisa bem clara: ao contrário do que diz o mundo inteiro, Paris não é nada romântica. Eu gostaria de conhecer a pessoa que teve a ideia de associar Paris a romantismo para poder perguntar-lhe por que raios resolveu dividir esse engano com o resto da humanidade. Paris pode ser tudo: bonita, chique, organizada, histórica, luxuosa, obrigatória, etc, etc, etc. Mas romântica definitivamente ela não é. Ou melhor: ela poderá ser se você for rico o suficiente para poder pagar por um pouco de exclusividade e um quarto de hotel lindamente decorado. Ou então se você já for um local e conhecer os programas fora do circuito turístico. Ou então se você estiver vendo algum filme que se passa na cidade. Do contrário, bem-vindo ao clube dos frustrados com a propaganda enganosa.

Reuniãozinha íntima com meu amor: abraçando o mundo.

Reuniãozinha íntima com o meu amor: abraçando o mundo!

Porque acontece o seguinte, vamos deixar isso muito claro para quem acredita que, ao chegar na cidade, verá corações de fumaça sair do escapamento dos carros, ou que o bife terá a forma de uma rosa, ou que um misterioso desconhecido terá arranjado um jeito de deixar um anel de brilhantes em cima do seu travesseiro: Paris é, principalmente nos meses de julho e agosto, uma estação de metrô de São Paulo às 18h na véspera de feriado. Só que o dia inteiro, todo dia.

É duro ouvir isso, eu sei, mas é a mais pura verdade. Se você vai a Paris procurando romance, saiba que, ao invés de encontrá-lo, dará de cara com filas quilométricas para visitar um museu megalotado, para comprar uma garrafinha de água de 250 ml por 2,50 euros, para tentar fazer xixi em paz num banheiro mais ou menos limpo, para comprar um sanduíche seco. Sem contar algumas cotoveladas para poder ver os monumentos mais conhecidos, o próprio metrô lotado, as milhares e infinitas escadarias espalhadas pela cidade, a pressa que te obriga a dar uma olhada rápida por cima das obras que você achava que veria com tranquilidade, o trator da programação de visitas do dia, a dor nas pernas e na sola dos pés de tanto andar, e a foto-lembrança na qual você estará ao lado do seu amor e de mais 500 mil desconhecidos. Você abraçando o mundo. É uma ideia romântica, oras.

A boa notícia é que, com esse mar de gente com quem você será obrigado a dividir a paisagem, você terá uma ótima desculpa para ficar coladinho no seu amor. Ok, vai. Fazendo um esforço, isso também é romantismo. O resto é exagero meu.

Camila Teixeira

Anúncios
Etiquetado , ,

3 pensamentos sobre “Romantismo em Paris

  1. Helena disse:

    Por isso que sempre tento programar as férias para a junho, temperaturas amenas, bem menos gente e, com alguma sorte, algum romantismo 😛

    Obs: na foto, tem uma pessoa caindo na parte de baixo? ou era alguém querendo sair na foto?

  2. Só na sua cabeça disse:

    e tb um pouco menos caro.
    na foto é a cabeça de alguém baixinho mesmo (suponho). é possível que estivesse caindo, mas não me lembro de ter visto ninguém no chão ; )

  3. […] mort, a magreza numa gastronomia cheia de manteiga, o não tomar banho, a baguete e a boina, o romance em Paris, Paris apenas, e agora mais esse que instauro, o mistério do cabelo ninho de rato altamente […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: