Lições cinematográficas

Eu me sinto grata quando consigo tirar alguma lição útil de um filme ou de um livro, ainda mais se é uma obra que, a princípio, não teria grandes lições de vida para dar. Só nessa semana, consegui identificar três obras cinematográficas que, devido ao meu atual contexto, posso rotular como “portadoras de um grande ensinamento”.

A que mais merece meu apreço no quesito “mestre” é O Iluminado. Veja. Não há nenhum indício de que a história de um homem que fica terrivelmente maluco ao se instalar num hotel vazio durante o inverno possa trazer algum tipo de lição vital. Todavia, há um ensinamento maior nessa obra, ao qual devemos ficar atentos e JAMAIS ousar contrariá-lo de forma consciente. Esse ensinamento é o seguinte: não ficarás longe do sol, do calor e do céu azul por mais de seis meses seguidos.

Minha teoria é que Jack Nicholson não fica maluco por causa do isolamento, nem por causa das forças sobrenaturais ou do alcoolismo. Certo, todos são agravantes, mas a causa, a origem de sua loucura está no fato de que ele ficou longe do sol por um tempo demasiadamente longo. Ou você acha que ele piraria o cabeção se aquele hotel sinistro estivesse na beira de uma praia deserta de água cristalina, ele deitadão numa canga de motivos tropicais, tomando todas as tubaínas do mundo, comendo sanduíche de atum com maionese e frutas frescas, a mulher dele descascando a pele solta das costas dele, enquanto o filho solta pipa na brisa? Em última medida, se estivesse calor na história, O Iluminado não existiria.

Perceba, manter o sol e o calor a uma proximidade segura é uma lição que se deve levar para a vida inteira e ainda transmitir para netos e bisnetos.

Dito isso, é realmente uma pena alguns aprendizados virem tarde demais na nossa timeline. Quando assisti ao filme, era época da fita VHS e só hoje, séculos depois, consegui constatar a lição que Stephen King quis transmitir com essa obra de dimensões humanitárias. Atualmente, sou obrigada a fazer de um raiozinho mirrado de sol uma verdadeira fonte da juventude, o que é deveras complicado, demanda uma boa dose paciência budista, autoenganação ou visão positiva, estilo, pelo menos não está nevando.

Junho já avançou na metade do calendário e o sol ainda não apareceu. Vou ser obrigada a ir atrás dele, nem que seja dando marretadas na porta de casa.

 

Camila Teixeira

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5 pensamentos sobre “Lições cinematográficas

  1. Tati disse:

    Muito boa sua análise sobre o filme!!
    Pensando bem, é isto mesmo, eu tb piraria numa situação dessas!!rs
    vc sabe como amo o sol né?
    Bjos

  2. Helena disse:

    bah, nem fala, sou outra pessoa com sol, tudo fica lindo na minha vida!!
    Faz o seguinte, Camis: aproveita os findes, coloca o Tigre nas costas e vai dar uma voltinha la por Marseille, passeia nos calanques, ou vai pra Cote d’Azur, fica num albergue pra tomar um ar de juventude, visita as Gorges du Verdon, ou a Camargue, tem as lindas ilhas de Port Cros e Porquerolles. A felicidade a algumas horas de trem!!
    ps: finde passado fui pro Rio, pena que tu não estava la!

    • Só na sua cabeça disse:

      potz, roteiro sensacional. to de olho nas porquerolles e nas calanques já faz algum tempo. irei, certeza.
      como foi no rio?

  3. Helena disse:

    Vai, sim, vai adorar com certeza! Bah, o Rio estava legal, foi bom ter dois dias de sol e verão no meio do frio e da chuva paulistana 🙂

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