A função do vazio

Eu  tinha uma certa tendência a achar o vazio uma coisa meio melancólica, meio solitária. Aquela história do copo cheio/vazio sempre me deu um aperto no coração e um pouquinho de pena da metadinha vazia, tadinha, enquanto a outra metade desfilava triunfante sua plenitude. Uau, como está cheia aquela metade, como se fosse algo de dar inveja à pobre metade sem nada. Essa rixa entre as metades sempre me incomodou e a diferença de juízo sobre ambas me parecia um pouco injusta.

Porque, veja. O problema  do vazio é quando esse vazio está espalhado por muitos lugares, sem uma forma definida. Quando você arruma a bagunça e reúne todo o vazio num lugar só, você sabe exatamente que cara ele tem. Portanto, um vazio dentro de um copo é um vazio de muitos méritos, na medida em que é possível ter uma noção clara do tipo de coisas que ele pode comportar. Por outro lado, eu tenho um problema sério com formulários, por exemplo, pois, na maior parte dos casos, o espaço disponível é pequeno demais para o tamanho das coisas que eu tenho que anotar.

A metade cheia pode desfilar, bobona, sua plenitude triunfante. Não ligo mais. Do meu lado, me preocuparei em sempre preservar meu copo metade vazio.

 

Camila Teixeira

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