Arquivo mensal: maio 2012

Decisões e o problema do dia seguinte

Outro dia eu tava pensando em como é difícil tomar uma decisão em paz. Não devia existir dia seguinte após as decisões. Porque acontece o seguinte. Cada vez que eu tomo uma decisão, cada vez que eu me sinto completamente segura dela, vem o dia seguinte e atrapalha tudo.

O dia seguinte, essa praga da história do mundo, sempre, invariavelmente, traz um novo elemento que, apesar de toda sua concentração e reflexão, apesar do seu esforço analítico e muitas vezes científico, você não conseguiu prever. Ou então, traz uma proposta muito parecida com sua decisão, com um ou dois detalhes diferentes, mas que representam uma mudança significativa no resultado final. É sedutora, mas não é a que você lapidou. É atraente, mas não é a que você decidiu. Em alguns casos é melhor, mas não é a que você escolheu baseado numa manifestação vinda do fundo do seu ser. Daí fica a pergunta: o fundo do nosso ser sabe realmente pra onde a gente tem que ir?

Essa foi uma das últimas dúvidas existenciais que me surgiu. Obviamente, preferi não pensar nela – primeiro porque ainda tenho uma certa estima pela minha lucidez; segundo porque achei que era uma piada do meu subconsciente; terceiro porque em breve vou sair de férias.

Demorei pra entender e também nem tenho certeza de ter entendido certo – amanhã talvez eu mude de ideia – mas suspeito que aquela história de “segue seu coração” vale só para hoje. Certezas atualmente são muito voláteis.

Quem dera o mundo só existisse agora.

 

Camila Teixeira

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A função do vazio

Eu  tinha uma certa tendência a achar o vazio uma coisa meio melancólica, meio solitária. Aquela história do copo cheio/vazio sempre me deu um aperto no coração e um pouquinho de pena da metadinha vazia, tadinha, enquanto a outra metade desfilava triunfante sua plenitude. Uau, como está cheia aquela metade, como se fosse algo de dar inveja à pobre metade sem nada. Essa rixa entre as metades sempre me incomodou e a diferença de juízo sobre ambas me parecia um pouco injusta.

Porque, veja. O problema  do vazio é quando esse vazio está espalhado por muitos lugares, sem uma forma definida. Quando você arruma a bagunça e reúne todo o vazio num lugar só, você sabe exatamente que cara ele tem. Portanto, um vazio dentro de um copo é um vazio de muitos méritos, na medida em que é possível ter uma noção clara do tipo de coisas que ele pode comportar. Por outro lado, eu tenho um problema sério com formulários, por exemplo, pois, na maior parte dos casos, o espaço disponível é pequeno demais para o tamanho das coisas que eu tenho que anotar.

A metade cheia pode desfilar, bobona, sua plenitude triunfante. Não ligo mais. Do meu lado, me preocuparei em sempre preservar meu copo metade vazio.

 

Camila Teixeira

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Traça

Fui num mercado das pulgas hoje. Não sei por que, mas essas velharias me encantam.

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Camila Teixeira

 

 

 

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