Arquivo mensal: fevereiro 2012

Coragem

Dia desses, vi o filme Comer, Rezar, Amar (o livro li ano passado, acho). Ontem terminei de ler  One Day. Há um ponto em comum nas duas histórias: a coragem de se desfazer de algo no meio do caminho e começar outra do zero.

Talvez esse seja um tema clássico dos 30 anos, época em que, normalmente, a gente tem inteligência intelectual e emocional para fazer um balanço sincero do que a gente fez da vida.

Não tenho muito a dizer a respeito, além de

  • como (não) é fácil fazer vista grossa sobre um descontentamento em nome da afeição que se tem por ele,
  • como é difícil viver essa contradição e
  • como é duro ver que tomamos uma decisão errada, que investimos tempo, dinheiro, energia e sentimento num caminho que pede retorno.

Nos dois casos, da desistência ou da persistência, é preciso coragem.

 

Atualização:

Lembrei. Esse tema também está em Vicky Cristina Barcelona.

 

Camila Teixeira

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Um dia

Eu achei que teria milhares de coisas para falar sobre One Day, livro do inglês David Nicholls, que terminei ontem. Eu achei que seria entusiasta, muito entusiasta ao falar sobre ele. Mas acho que não vai ser o caso, embora a obra tenha vários méritos, devo reconhecer.

O primeiro deles foi me fazer cruzar a barreira do “romance romântico”. Não é o tipo de leitura que me atrai, aliás, é o tipo de história que eu normalmente evito. One Day me fez superar esse bloqueio e, quando me dei conta, estava na página 239. Justiça seja feita, convivi feliz com a obra durante 4/5 da narrativa.

É um livro bem escrito e tem a vantagem de ser bastante enxuto. Isso faz com que a leitura seja fluida e alegre. O autor mostra rapidamente que as descrições que emprega têm uma utilidade ficcional e não são apenas um efeito decorativo.

Dexter e Emma são dois jovens que se conhecem no último dia da faculdade e tornam-se grandes amigos coloridos, embora nenhum deles admita isso para o outro. Outra vantagem é a simpatia dos personagens, mesmo aqueles que são construídos para causar desequilíbrio. Ninguém é odioso e, embora tenham suas chatices, são personagens reais e cativantes por seus dramas pessoais.

O livro conta como os protagnistas vivem os 20 anos seguintes a esse dia. Ou seja, é uma história sobre envelhecer, sem chegar à época da velhice; sobre o brilho da juventude e sobre as dificuldades de se tornar adulto; sobre a necessidade de fazer o que não quer para alcançar o que se desejou; ou sobre abafar a sinceridade no peito.

Parte do meu entusiasmo se foi no final da leitura. Ainda não sei se pelo desfecho em si ou se pelas opções que a vida oferece para uma história, seja ela ficção ou realidade.

De qualquer maneira, o livro correspondeu com sucesso ao que esperava para o momento: uma leitura leve e sem compromisso. Recomendo para os românticos e para quem quer respirar um pouco de juventude.

 

Camila Teixeira

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Já fomos piores

Estou lendo um livro que no Brasil foi publicado com o título “Um amor conquistado – O mito do amor materno”, da filósofa francesa Elisabeth Badinter. Que aventura. A autora faz um panorama detalhado e chocante sobre a evolução do conceito de maternidade através do tempo. É um resgate histórico rico em exemplos sobre o valor que a sociedade de cada época atribuía ao binômio mãe-bebê.

O que tem me chamado a atenção é a forma como nosso comportamento é condicionado pela época em que vivemos. E como não nos damos conta disso. Achamos que somos pessoas inteiras, donas dos nossos pensamentos. Errado. Se você pensa assim, desgabaritou total na prova de múltipla escolha da vida. Porque nossos pensamentos, de maneira geral, são orientados pelos valores que nos são contemporâneos.

No livro de Badinter, isso fica muito claro. Ela traz uma enxurrada de dados que comprovam como homens e mulheres de cada século reproduziam os costumes de sua época. E ela não fala de ignorantes ou leigos. Ela ataca sem dó a burguesia, médicos, filósofos, pessoas de certa lucidez intelectual. Com essas frases, estou querendo dizer que a autora prova, por A+B, que o ser-humano é, ó, vou te contar. Terrível (novidade). Tomando como exemplo, o valor dado à mulher beirava o nulo. O valor dado à criança, qualquer que fosse sua idade, era totalmente negativo. A maternidade, a amamentação, o nascimento e a vida da criança pareciam não ter utilidade alguma. Ao contrário, era um peso na vida da família. E quando um bebê morria, o que era muito frequente em função das condições de higiene e até da falta de cuidado familiar, era quase um alívio, aleluia (a autora não diz isso com todas as letras, mas eu interpreto assim). Ainda estou no começo do livro, mas ler o prefácio já é suficiente para ter uma ideia do que estou falando.

Com as referências culturais de que dispomos para interpretar os dados de Badinter, fica evidente o quanto já evoluímos para o bem. Ufa. Apesar de apesar de todos os pesos pesados dos pesares, tenho a impressão de que, de uma maneira geral,

a) hoje somos dotados de uma consciência maior do outro e

b) nos importamos cada vez mais com isso.

c) Com exceção, é claro, daqueles que são corrompidos pelo pudê (=poder) em qualquer esfera: política, social, empresarial, financeira, ONG, familiar, da associação de bairro, na turminha da escola, etc.

Pensando nos valores que estão brotando por aí (um consumo mais consciente, menos hierarquia, mais compartilhamento, etc), consigo carregar uma (nano) pontinha de esperança no futuro. A menos, claro, que o ser-humano seja fiel ao que é e dê um baita tiro no pé, rumo ao fracasso total. Não me espantaria.

Fico curiosa para saber que valores de hoje serão obsoletos no futuro.

O livro da Badinter pode ser lido aqui.

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Camila Teixeira

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Enlace

Estou numa fase forte de faça você mesmo, o que significa que estou frequentemente em busca de tutorias que ensinam a otimizar e a utilizar todo o potencial de um objeto. Ao mesmo tempo, vivo um enlace amoroso com os lenços. Acho um acessório importante demais para ser classificado como acessório, nomenclatura que é, diga-se de passagem, uma verdadeira injustiça. Quando bem utilizado, o lenço é a peça principal de uma produção. No meu caso, como sou adepta total do básico, o lenço é o encarregado absoluto de realçar as minhas opções.

Enfim, tudo isso para compartilhar um vídeo que achei sobre 25 maneiras de usar um lenço.

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Tentarei todas.

Via Objetos de Desejo.

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Camila Teixeira

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Passeio

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Camila Teixeira

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Tão sem tempo, tão atrasada

Em vários momentos, percebo o quanto meus conhecimentos cinematográficos estão atrasados. Só que hoje cheguei ao fundo do poço, ao ler n’O Globo que

  • Oskar Schell, meu herói forever de “Extremamente alto e incrivelmente perto”, do Jonathan Safran Foer, tem um rosto no cinema e que
  • a adaptação do livro está concorrendo ao Oscar 2012 na categoria de melhor filme.

De qualquer jeito, não verei esse filme, estou decidida, posto que não pretendo morrer afogada no meu mar de lágrimas. Já chega o que tive que segurar quando terminei de ler o livro. Também não quero que o meu Oskar Schell tenha um rosto diferente daquele que criei especialmente para ele na minha imaginação.

Meu Oskar é mais gordinho.

Por outro lado, essa trilha do U2 me diz que a sensibilidade da história pode ter derrapado para um chororô sentimentalóide, o que me faria chorar menos. Outro motivo para não ver.

Mas verei. Óbvio.

Camila Teixeira

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Como funciona a arte

Ao invés de partir para algum lugar, deveríamos apreender o aqui o agora.

 

Vi no Ideias&Petiscos, que viu no Trabalho Sujo, que viu no Anorak, que recebeu a dica da Ana, mas que na verdade vem do Billy Gallery.

 

Camila Teixeira

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Especial

Me fez lembrar de alguém.

Do brilhante João Montanaro.

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Fechado para ao carnaval

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Inté.

 

Camila Teixeira

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Costura

Às vezes eu fico feliz de ter esse blog e de deixar anotado nele algumas das minhas paranoias. Porque, de repente, vem a vida e costura tudo o que a gente pensou aos poucos. Nessas horas, é como se ela, a vida, viesse, me desse um abracinho fofo, um beijinho na testa e me dissesse: é por aí, querida.

Esses dias, disse me sentir como uma maluca que fica falando sozinha na praça. Na semana retrasada, falei sobre a experiência única de estar vivo, embora sejamos tão parecidos uns com os outros. No meio de janeiro, escrevi uma carta ao diretor de planejamento do ser-humano, solicitando a possibilidade de experimentar aquilo que o outro sente.

Hoje, esses três posts se encontraram nessa discussão que vi no TED, “Can we ever know how another person ‘senses’ the world?“.

É legal saber que pessoas desconhecidas do outro lado do mundo estão falando sobre as dúvidas que me surgem enquanto lavo a louça aqui na cozinha de casa.

Eu me sinto meio caipira ao dizer isso (mas sou caipira mesmo, fazêoquê), mas na internet a gente não troca ideia com o vizinho, e sim, com o mundo inteiro. Às vezes somos mais parecidos com um carinha que vive no Japão do que com o cara que senta do nosso lado no trabalho, no ônibus ou no cinema. Proximidade não tem nada a ver com geografia. É.

 

Camila Teixeira

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