A conspiração da lâmpada

Numa grande coincidência do destino, ontem passou aqui no canal Arte o documentário “A Conspiração da Lâmpada”, sobre o qual o Link fez uma matéria que muito me interessou. Aproveitei e fiz algumas anotações. Lá vão elas.

 

– A diretora do documentário, Cosima Dannoritzer, lembra a ironia de que a lâmpada, símbolo da ideia, tenha sido o primeiro exemplo de obsolescência programada dos produtos.

– Sem a obsolescência programada, todo o comércio tal como o conhecemos hoje não existiria, tampouco a cadeia de emprego que ele alimenta.

– Para o economista e filósofo francês Serge Latouche, as linhas de crédito, a obsolescência e a publicidade são os responsáveis pelo círculo vicioso do consumo desnecessário.

– Menção ao filme O Homem do Terno Branco (1951), sobre um cientista da indústria têxtil que faz a maior descoberta de sua vida: uma malha que não suja e não desgasta. Ele faz um terno branco maravilhoso e apresenta a proposta ao dono da empresa. É perseguido não somente por esse diretor, mas também pelos operários que veem na criação do cientista uma ameaça a seus empregos. 
– Outro exemplo dado foi o da Dupont. Nos anos 40, os engenheiros da empresa criaram um fio super-resistente para a fabricação da meia-calça. O produto foi um sucesso entre as mulheres. Mas a direção da companhia, diante da queda nas vendas, resultado da durabilidade do produto, solicitou o desenvolvimento de produtos menos resistentes.

– No fim dos anos 50, consumidores americanos começam a se organizar para questionar as empresas sobre a obsolescência programada. Uma associação faz testes sobre a longevidade de certos produtos. O resultado é publicado na revista da entidade e obtém um enorme sucesso. A consequência direta foi a criação do certificado de garantia.

– Uma “solução” para o problema da obsolescência surgiu com o socialismo, no qual a indústria do obsoleto não fazia sentido. Na Alemanha Oriental, uma geladeira era fabricada para durar 25 anos (e não pude deixar de me lembrar do fervor da mãe do Alex Kerner ao defender o socialismo, no filme Goodbye, Lenin).

– A advogada que defendeu os consumidores na ação coletiva que ficou conhecida como “caso Westley contra Apple” (alegação: curta duração da bateria do Ipod) diz: “O que me abala é que a Apple possui uma política ambiental contrária a sua imagem de antenada, ao não permitir um sistema de troca e atualização de suas peças”.

Vídeo do alemão Casey Neistat, no qual manifesta sua insatisfação com a durabilidade da bateria de seu Ipod.

– Sobre a questão da gigantesca produção mundial de lixo tecnológico, um morador de Gana, onde são despejados dejetos eletrônicos de todas as partes do mundo, diz: “é um absurdo que nosso país tenha se transformado na lixeira do mundo”.

– Sobre a produção industrial, o documentário sublinha que o modelo atual pode levar à escassez dos recursos naturais.

– Professores alertam engenheiros e designers para a necessidade de saber para que tipo de empresa vão trabalhar.

– Sobre as gerações futuras, o documentário diz: eles ficarão furiosos ao perceber que o modo de vida que herdaram foi baseado na cultura do desperdício.

– O documentário alerta para a necessidade de repensar o modelo econômico. Um exemplo citado foi o movimento Décroissance (Descrecimento). A palavra forte é para marcar a necessidade de se romper com a lógica do excesso de produção e o modo de consumo atual.

– Ao final do filme, Serge Latouche, um dos representantes da Décroissance, menciona uma frase de Ghandi: o mundo é grande para satisfazer as necessidades de todos, mas pequeno para satisfazer a avidez de alguns.

 

No final do documentário, houve um breve debate sobre o tema. Uma economista alemã falou sobre a necessidade de se criar círculos virtuosos de produção e consumo, com base no reaproveitamento de materiais. Ela deu o exemplo de uma máquina de lavar. O consumidor não compraria mais o aparelho, mas uma quantidade X de lavagens. Ao atingir essa marca, o consumidor devolve o produto à empresa, que poderá reutilizar a matéria-prima e os componentes. Ela diz que não é possível recusar o crescimento, uma mentalidade que pode ser aplicada a países desenvolvidos, mas que não se enquadra às necessidades de países em desenvolvimento. E que seria necessário criar novos métodos de concepção e produção, o que seria a base de uma nova revolução industrial.

 

 

Camila Teixeira

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