Arquivo mensal: janeiro 2012

Festa

No último final de semana, nevou açúcar de confeiteiro. Na noite passada, foi clara em neve. Imagino a festança de aniversário que deve estar acontecendo lá em cima.

 

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Camila Teixeira

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Decoração

Hoje resolveu nevar açúcar de confeiteiro aqui onde moro.

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Camila Teixeira

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Mil planetas

Quando me falam que um objeto Y é tridimensional, eu desconfio. Eu sempre acho que o criador (numa visão que admite todas as versões para o surgimento do universo) preparou uma de suas pegadinhas, fazendo a gente acreditar numa versão incompleta da realidade.

Pegue uma abelha, por exemplo. O mundo não é apenas como ela vê. Mas ela acredita que é. Pegue um humano, por exemplo. O mundo não deve ser como ele vê. Mas ele acredita que é.

Pois o problema é justamente esse. Cada um acredita naquilo que vê. E se cada um vê uma coisa diferente do outro, pois é humanamente impossível enxergar exatamente a mesma coisa que o vizinho, nem que seja por diferenças de estatura, de posição em relação ao objeto, de graus de oftalmologia, jamais viveremos num mundo de acordo entre as partes. Pois, além de cada um acreditar naquilo que vê, cada um defenderá aquilo que lhe parece.

Mas não pode ser diferente. Como não acreditar naquilo que nos contam nossos cinco sentidos, as únicas ferramentas de que dispomos para experimentar o presente? Os sentidos são a fronteira entre nós e o mundo, repare.

Mas se cada um experimenta uma coisa diferente do outro, qual é a verdadeira? (Prestem atenção agora). A verdade é que a verdade é o objeto (de discussão, que seja) mais multidimensional que existe no universo (novidade). Se cada um experimenta o mundo com seu próprio filtro de sentidos, cada um possui sua própria experiência do que é real. Infelizmente, não é possível emprestar nosso paladar para outra pessoa. Imagine a cena:

_ Ei, olha aqui como eu sinto o gosto dessa tortinha de morango.

(Empresta toda a superfície da língua com suas raízes sensoriais para o outro).

_ Hmmm. Nossa, pra mim é mais azedo.

Infelizmente, não fomos presenteados com esse aparato de intercâmbio cultural, o que seria, deveras, interessante.

E como não podemos sentir com os sentidos dos outros, não raro desconfiamos daquilo que o outro conta. Ou julgamos deslocado, aquém, além, totalmente contrário à realidade, a nossa. Daí o descompasso entre nós e esse mundo que não nos mima.

Experimentar a vida é algo totalmente, altamente, completamente único. Além do estilo de vida, das escolhas que fazemos, da forma como pensamos, das nossas preferências, os sentidos também estão aí para fazer de cada vida uma vida única. Por mais semelhanças que se tenha com o próximo, somos totalmente diferentes. (Pausa para pensar). E dar-se conta dessa exclusividade, mesmo que de vez em quando, já deveria ser o suficiente para querer viver o mês seguinte com uma vontade vinda do fundo das tripas.

Quando me falam que um objeto é tridimensional eu acredito na parte verdadeira, mas logo penso que compreender esse objeto é uma experiência subjetiva. E que portanto ele não é apenas tridimensional. Quando me falam que existe um planeta Terra, eu acredito. Mas o número de planetas Terra possíveis será tão vasto quanto as formas de experimentá-lo. 7 bilhões de planetas Terra, no mínimo.

O universo é, de fato, imenso.

 

Camila Teixeira

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Festival Internacional da HQ – II

No site do evento também foi publicada uma materinha sobre o ilustrador/carimbador Vincent Sardon, que terá suas obras em exposição. O texto diz:

Ele foi ilustrador dos jornais Libération e Le Monde. O tempo passa rápido demais para o artista Vincent Sardon. ‘Essa é uma profissão sem memória. Meu desenho, alguns dias ou meses mais tarde, não tinham mais sentido‘.

Acho curioso ele falar isso. Esses dias mesmo, o Trabalho Sujo recuperou uma ilustração de 2008 do Angeli que se encaixa com perfeição no noticiário atual brasileiro. Para o aniversário de São Paulo, o cartunista Jean Galvão recuperou uma charge do ano passado. (Talvez porque as coisas no Brasil não mudem e, na França. sim. Anotado para divagações futuras). O fato é que essa sensação de pensamento datado é que motivou Sardon a gravar suas ideias em carimbos. Ele conta que essa forma de expressão surgiu sozinha e de repente. “Antes, eu me expressava por meio da HQ. Hoje em dia, em carimbos, em texto. É quase um automatismo”.

Seus primeiros carimbos, criados nos anos 90, foram feitos a mão. Hoje, são feitos por uma máquina. “Ela me permite utilizar fotos e diversos elementos iconográficos, como logotipos, publicidade, imagens pornográficas, e toda a loucura visual que nos invade atualmente”. Ele diz ainda: “gosto da ideia desses objetos que fazem rir e que, ao mesmo tempo, têm um potencial de agressão. Eles permitem expressar nossas neuroses e nossos impulsos mais primários.”

De fato. As mensagens de Sardon são, no mínimo, uma afronta. Dedo médio, “coma os vegetarianos”, muitas imagens de sexo, “sua mulher te trai”. Todo tipo de proposta frustrante ou de fracasso que se pode imaginar está entre os carimbos do artista. Na imagem que ilustra a matéria do site do festival, o carimbo diz: “Nós temos o prazer de informar que publicaremos sua autobiografia. Mas que ela não mudará em nada sua vida de merda”.

O mais recente criado por Sardon foi um cartão postal que mostra a foto de Nicolas Sarkozy com a legenda “O  antigo presidente” (sendo que Sarkozy deve se reapresentar nas eleições desse ano).

No site dele, ele conta que está fazendo um estudo junto com um pâtissier (confeiteiro) para fabricar biscoitos deprimentes (sensacional, comprarei).

Você está envelhecendo mal. Renuncie. Perca toda ilusão.

Desde 2007, Sardon vem compilando suas criações que farão parte de um livro previsto para ser publicado a partir de março.

O blog Tampographe Sardon : http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/

Camila Teixeira

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Festival de HQ de Angôuleme – I

No site do Festival, já estão disponíveis algumas fotos e informações sobre os preparativos do evento. Selecionei algumas que achei legais e que me fazem desejar profundamente estar em dois lugares ao mesmo tempo. Na galeria abaixo, estão imagens de alguns carimbos de Vincent Sardon, Art Spiegelman, figuras da exposição Di Rosa Magazine e da exposição HQ sueca.

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Todas as fotos foram tiradas no site do evento. © FIBD, Jorge Fidel Alvarez / 9art+

Camila Teixeira

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A conspiração da lâmpada

Numa grande coincidência do destino, ontem passou aqui no canal Arte o documentário “A Conspiração da Lâmpada”, sobre o qual o Link fez uma matéria que muito me interessou. Aproveitei e fiz algumas anotações. Lá vão elas.

 

– A diretora do documentário, Cosima Dannoritzer, lembra a ironia de que a lâmpada, símbolo da ideia, tenha sido o primeiro exemplo de obsolescência programada dos produtos.

– Sem a obsolescência programada, todo o comércio tal como o conhecemos hoje não existiria, tampouco a cadeia de emprego que ele alimenta.

– Para o economista e filósofo francês Serge Latouche, as linhas de crédito, a obsolescência e a publicidade são os responsáveis pelo círculo vicioso do consumo desnecessário.

– Menção ao filme O Homem do Terno Branco (1951), sobre um cientista da indústria têxtil que faz a maior descoberta de sua vida: uma malha que não suja e não desgasta. Ele faz um terno branco maravilhoso e apresenta a proposta ao dono da empresa. É perseguido não somente por esse diretor, mas também pelos operários que veem na criação do cientista uma ameaça a seus empregos. 
– Outro exemplo dado foi o da Dupont. Nos anos 40, os engenheiros da empresa criaram um fio super-resistente para a fabricação da meia-calça. O produto foi um sucesso entre as mulheres. Mas a direção da companhia, diante da queda nas vendas, resultado da durabilidade do produto, solicitou o desenvolvimento de produtos menos resistentes.

– No fim dos anos 50, consumidores americanos começam a se organizar para questionar as empresas sobre a obsolescência programada. Uma associação faz testes sobre a longevidade de certos produtos. O resultado é publicado na revista da entidade e obtém um enorme sucesso. A consequência direta foi a criação do certificado de garantia.

– Uma “solução” para o problema da obsolescência surgiu com o socialismo, no qual a indústria do obsoleto não fazia sentido. Na Alemanha Oriental, uma geladeira era fabricada para durar 25 anos (e não pude deixar de me lembrar do fervor da mãe do Alex Kerner ao defender o socialismo, no filme Goodbye, Lenin).

– A advogada que defendeu os consumidores na ação coletiva que ficou conhecida como “caso Westley contra Apple” (alegação: curta duração da bateria do Ipod) diz: “O que me abala é que a Apple possui uma política ambiental contrária a sua imagem de antenada, ao não permitir um sistema de troca e atualização de suas peças”.

Vídeo do alemão Casey Neistat, no qual manifesta sua insatisfação com a durabilidade da bateria de seu Ipod.

– Sobre a questão da gigantesca produção mundial de lixo tecnológico, um morador de Gana, onde são despejados dejetos eletrônicos de todas as partes do mundo, diz: “é um absurdo que nosso país tenha se transformado na lixeira do mundo”.

– Sobre a produção industrial, o documentário sublinha que o modelo atual pode levar à escassez dos recursos naturais.

– Professores alertam engenheiros e designers para a necessidade de saber para que tipo de empresa vão trabalhar.

– Sobre as gerações futuras, o documentário diz: eles ficarão furiosos ao perceber que o modo de vida que herdaram foi baseado na cultura do desperdício.

– O documentário alerta para a necessidade de repensar o modelo econômico. Um exemplo citado foi o movimento Décroissance (Descrecimento). A palavra forte é para marcar a necessidade de se romper com a lógica do excesso de produção e o modo de consumo atual.

– Ao final do filme, Serge Latouche, um dos representantes da Décroissance, menciona uma frase de Ghandi: o mundo é grande para satisfazer as necessidades de todos, mas pequeno para satisfazer a avidez de alguns.

 

No final do documentário, houve um breve debate sobre o tema. Uma economista alemã falou sobre a necessidade de se criar círculos virtuosos de produção e consumo, com base no reaproveitamento de materiais. Ela deu o exemplo de uma máquina de lavar. O consumidor não compraria mais o aparelho, mas uma quantidade X de lavagens. Ao atingir essa marca, o consumidor devolve o produto à empresa, que poderá reutilizar a matéria-prima e os componentes. Ela diz que não é possível recusar o crescimento, uma mentalidade que pode ser aplicada a países desenvolvidos, mas que não se enquadra às necessidades de países em desenvolvimento. E que seria necessário criar novos métodos de concepção e produção, o que seria a base de uma nova revolução industrial.

 

 

Camila Teixeira

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Floresta viva

O jornal Le Figaro publicou nos últimos dias em sua versão online a imagem abaixo, que faz parte da campanha Floresta Viva, da WWF. Se você reparar bem, existe uma dezena de animais camuflados nas formas da floresta. O jornal explica que o objetivo da campanha é dizer que o desflorestamento não mata apenas as árvores, mas tudo e todos que nela estão abrigados. O Figaro diz ainda que, atualmente, as florestas cobrem apenas 30% da superfície do planeta e elas continuam a desaparecer, ano a ano, num ritmo equivalente ao tamanho do Panamá.

 

 

 

 

Camila Teixeira

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Estudo para trilha sonora

No dia em que eu fizer um filme, quero ter uma lista de títulos musicais a minha disposição, pronta para ser editada.

Este é o meu primeiro estudo para trilha sonora.

Pelo menos uma, ou algumas, ou várias ou todas têm grandes chances de fazer parte do filme. A ordem abaixo é aleatória e não corresponde ao grau de apreciação que tenho por elas.

 
Camila Teixeira

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Faroeste

Num dos próximos livros da minha lista de leitura encontrei a seguinte frase:

Deixei bem claro que a única maneira de obter uma das balas do meu revólver seria recebe-la bem no meio da testa.

Sensacional. Ansiosa pra começar.

Camila Teixeira

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Carta ao Diretor de Planejamento do Ser-Humano

Prezado Diretor,
É com o devido respeito que ouso infringir as regras do lá e cá com o envio da presente. O objetivo principal é propor humildemente cinco sugestões visando à ampliação dos limites e capacidades do ser-humano (SH). As mesmas poderão enriquecer seu repertório de perspectivas para a evolução do homem. E lá vamos nós.

Propostas de melhorias para o funcionamento do ser-humano

1 – Que o SH possua capacidade de teletransporte (velocidade da luz ou supersônica, preferencialmente).
Justificativa: Além de reduzir drasticamente o trânsito nas cidades, permitiria o aumento do dinamismo do ritmo de vida. Não perderíamos tempo presos na marginal Tietê, no túnel Zuzu Angel ou no Vidoca, que também já está bem complicado. Por outro lado, seria igualmente a ocasião para iniciar uma nova campanha motivacional de Zero Atraso (A/C Depto de Comunicação). Perder a cultura do atraso não seria uma verdadeira perda e tornaria os humanos mais educados.
Modelos: o teletranporte poderia ser feito a) por meio de cabines individuais compactas o suficiente para que possam ser transportadas no bolso da calça. Ao serem acionadas, abririam um feixe de luz/portal de deslocamento (se necessário, solicitar apoio ao Sr. Jobs, que deve estar por perto, e que criou aparelhos dessa dimensão); b) por uma espécie de TGV invisível, que funcionaria como as correntes marítimas, um protótipo que funciona entre os seres marinhos e que poderia ser perfeitamente adaptado ao modo de vida humano.

2 – Que o SH possa estar presente em dois lugares ao mesmo tempo.
Justificativa: reduziria o número de passageiros do TGV invisível, reduziria o número de ausências em eventos simultâneos, diminuiria o número de casos de tristeza e saudade, ao mesmo tempo em que aumenta o grau de praticidade da vida.
Modelo: Para moderar o número de duplicações do SH pela vida afora, evitando assim possíveis transtornos, cada um possuiria uma cota de duplicação a ser usada com parcimônia, aumentando o grau de responsabilidade do homem. Obviamente seria preciso melhorar o serviço de inteligência policial (A/C Depto de Segurança), visto que os álibis se multiplicariam em casos de delito.

3 – Que seja criado o DDA – Discagem Direta do Além.
Justificativa: A passagem entre os mundos, não raro, vem acompanhada de sérios rompimentos de relações e atividades. Senhas são perdidas, confissões deixam de ser feitas e os casos de incompreensão assombram quem por aqui fica. Um simples telefonema seria suficiente para sanar todos esses problemas, acalmar o sofrimento e ainda nos permitiria tirar algumas dúvidas, estilo: morrer dói? Existe turbulência na passagem de um mundo para o outro? O além é perfumado? Encontrou a vó? Entre outras.
Modelo: Uma única ligação 0800 a ser feita pela alma do além para qualquer aparelho telefônico da Terra. Duração da conversa: 15 minutos. E olhe lá.

4 – Que se possa experimentar a sensação do outro.
Justificativa: o SH vive usando a frase: imagina pelo que ele passou/ o que está sentindo. Mas raramente é possível imaginar ao certo o que se passa com o outro. Em casos mais suaves, a gente só não consegue imaginar. Mas há casos mais graves em que essa impossibilidade é fonte de discórdia e mesmo de algum tipo de guerra. Obter o poder de sentir o que os outros sentem não somente aumentaria nossa experiência sensorial do mundo, como também permitiria melhor compreender as razões do outro. Seria uma ferramenta útil para apaziguar situações de risco.
Modelo: Um fio de cabelo mais grosso poderia funcionar como uma memória USB, na qual estariam registradas as últimas sensações percebidas. Uma simples troca dessa memória entre um SH e outro permitira o intercâmbio de experiências. Simples, portanto.

5 – Que o SH seja dotado de bola de cristal.
Justificativa: Boa parte das cabeçadas que damos em Terra é causada pela impossibilidade de prever o futuro. Ter acesso a esse futuro (pode ser apenas o imediato) permitiria não somente evitar a perda de tempo em ações desnecessárias, como também, numa esfera de maior importância, melhorar o sistema de prevenção de doenças. Também viveríamos melhor os dias que temos disponíveis, ao ter a morte num horizonte visível.
Modelo: Não precisa ser uma bola propriamente dita, pode ter outro formato. Mas se for bola, poderia ser um aparato instalado atrás da retina. Nossa visão seria semelhante à maneira como o Homem de Ferro enxerga o mundo. Dados precisos sobre um futuro determinado apareceriam em nossa visão, oferecendo informações sobre as consequências de determinada escolha.

***

Com esses aparatos, o SH estaria apto a viver melhor sua travessia terrestre.
Mas se a finalidade da passagem do SH pela Terra for realmente o camelar, o modelo atual se enquadra com perfeição nesse objetivo.
Esperando que minhas sugestões tenham sido úteis e que possam ser aplicadas num futuro próximo (amanhã está bom, ou na próxima segunda), agradeço sua atenção.

Camila Teixeira

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