Arquivo mensal: outubro 2011

Flagra

Folhas foram vistas sentadas num banco, descansando calmamente, após um verão intenso de trabalho.

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Camila Teixeira

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Passeio

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Camila Teixeira

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Cão farejador e o absoluto

Inauguro aqui uma série de posts existenciais. Os demais, publicarei em breve, se o bom senso permitir.

***

Eu devo estar atravessando minha 56ª adolescência. Ou saturno, quando passou, gostou tanto do que viu que resolveu voltar. O número de perguntas existenciais que tem atravessado meu espírito nos últimos tempos é de deixar qualquer um fora do eixo. São perguntas de todos os tipos, como os básicos quem sou eu? Pra onde vou? Ou mais banais, tipo: por que não corto logo esse cabelo? Ou: por que não gosto de cor-de-rosa? Ou então algumas novas, do tipo: por que a conjunção de planetas teria algum efeito sobre o meu humor? Estou fadada seguir nesse espectro que me foi predestinado? A predestinação existe mesmo?

Entre todas elas, pulsa agora uma pergunta existencial campeã. Ela anda me martelando faz tempo e caça indícios de resposta em cada movimento meu. Parece um cão farejador que passou anos gripado, incapaz de sentir qualquer tipo de cheiro, e tem seu faro de volta justo num dia de passeio pelo zoológico. Se abro uma lata de leite, a pergunta existencial está lá. Se o almoço queima, ela está lá. Se a água do chuveiro não esquenta, ela está lá. Se a roupa não secou, ela está lá. Se não acho as chaves de casa, ela está lá. Se pego um garfo torto. Se deixo o celular cair no chão. Se a piscina está fechada. Se a internet não funciona. Se acaba o pão. Se a manteiga está dura. Se meu pé está gelado. Se acabou o papel. Se não tem sobremesa. Se a calça encolheu. Se a lâmpada pifou. Lá está ela, por todos os lados.

E essa pergunta, a suprema, a mãe de todas as outras, a que tem me tirado do sério, é a seguinte:

Por que a gente tem essa necessidade (atualmente, irritante) de tentar entender tudo e explicar tudo e ordenar tudo a todo instante?

Ou então:

Por que não podemos apenas viver uma experiência em seu absoluto, sem ter a necessidade de conectá-la com outros eventos, causas, motivos, razões ou circunstâncias, como diz o mestre.

Daí, ela se desdobra em milhares de outras, tipo: por que simplesmente não aceitamos o caos? Por que simplesmente não aceitamos a alegria? Por que simplesmente não saboreamos uma macarronada deliciosa sem pensar que preferimos abobrinha grelhada no alho?

Por que essa necessidade de entender? Por quê? Por quê? Por quê?

Por que a felicidade genuína, minha gente, está na ignorância, morada certeira da paz. Disso todos sabemos. Por que, então, de posse dessa informação tão fundamental e preciosa, continuamos nessa espiral incessante de questionamentos que só serve para que os outros olhem para gente, como você deve estar me olhando agora, e pense: essa menina deve estar louca.

Em outros tempos, eu acharia normal ter tantas perguntas e mais – acharia saudável. O problema seria se eu não as tivesse. Hoje eu já acho que, depois de uma enxurrada delas, é preciso começar a encontrar respostas. Ou então, aprender a ignorá-las.

Por que não as ignoramos? Por quê? Por quê? Por quê?

 

Camila Teixeira

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Vidinha doméstica

Cada vez que o tigre sobe no sofá da sala eu quase tenho um ataque cardíaco. Sobe tão rápido, que não dá nem tempo de dizer “não”. De repente, já está lá, triunfante, como quem senta num trono de ouro. Orgulhoso, observa seu reino de brinquedos espalhados por todos os lados. “São todos meus”, deve pensar. Até que escolhe um deles para compartilhar a visão privilegiada que se tem do alto da poltrona. E se joga de cabeça no chão para pegá-lo, como se logo abaixo existisse uma piscina de plumas. Nesse momento, uma outra crise instantânea de nervos tritura o que resta do meu antigo equilíbrio zen. Sou, então, obrigada a me desapegar de quem um dia fui e a me recompor novamente em centésimos de segundo.

Hoje sou domadora de tigre. Que aventura vê-lo escalar o mundo.

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Haka

Na final da Copa do Mundo de Rugby 2011, que aconteceu no último domingo, a França invadiu o campo dos Blacks durante o haka. Não sei se é a primeira vez que acontece, mas é a primeira vez que vejo uma equipe fazer isso. Bem lindo.

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Achados

Levar uma vida cigana é, ao mesmo tempo, estimulante e difícil. No primeiro caso, porque há um universo a descobrir. No segundo caso porque, também, há um universo inteiro, infinito a descobrir. Tudo depende da perspectiva que se adota. Por alguma razão que desconheço, tenho uma forte tendência a adotar a perspectiva pessimista em qualquer situação. O que me faz dizer que garimpar um universo não é tarefa fácil. Até criar um hábito, encontrar duas ou três preferências, leva-se uma vida. É um período de relativo sofrimento.

Enfim. Por sorte, caí num universo não muito infinito, grande suficiente para que eu possa desbravá-lo, em sua essência, a pé. Pois foi o que fiz dia desses. Botei o tigre em sua viatura e fui me misturar com o que existe nas redondezas. Engraçado. As coisas estavam em seu devidos lugares e eu, curiosamente, fora deles. Eram os lugares de um lado e eu do outro, numa estranheza que só sente quem ainda não identifica o que vê.

Até que. Até que. Lá longe observo. Bela e cintilante. Com uma vitrine recheada. De pães. De todos os tipos. De pâtisserie. De todos os tipos. Baguetes, croissants, chocolatines, quentinhos e perfumados. Doces finos, harmônicos e deliciosos. Ah, a padaria. Desde que cheguei, passei por algumas outras que (é duro dizer) me decepcionaram. Pães duros, cascudos, ressecados. Estava até meio jururu por não ter encontrado uma padaria para chamar de minha, mesmo após duas semanas instalada. Mas, inchalá, muito ôro, achei. Achei uma preferência. Por delicadeza, evitei fazer xixi em sua porta de entrada, no poste, na roda dos carros estacionados na frente da minha nova boulangerie.

Saí de lá com três baguetes na mão, como quem carrega um nobel da paz. Olhei ao redor, para o horizonte. Havia algo de mágico naquela descoberta. Estrelinhas douradas caiam sobre mim, o tigre e as baguetes. De posse do meu novo troféu, num lapso de segundo, me vi desfilando no alto de um caminhão de bombeiros pelo centro da cidade, sendo calorosamente saudada pela população. (Tá, parei).

A verdade é que uma tarde linda terminava diante de um parque arborizado. Raios de sol atravessavam as nuvens, criando uma luminosidade suave de fim de dia. O mundo já não era mais tão estranho assim.

Camila Teixeira

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Passeio

Camila Teixeira

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Sistema nervoso

Por motivos totalmente desinteressantes, andei fazendo uma breve pesquisa sobre o cérebro. Não pude deixar de rir quando li numa das definições a expressão sistema nervoso simpático. O termo me fez cócegas na alma e pareceu uma excelente piada, já que, no meu caso, meus nervos não andam nada, nada simpáticos. Ao contrário, no que se refere a mim, o correto seria dizer sistema nervoso totalmente antipático. Faz tempo que não tenho contato com esse tal sistema simpático, ou, pior, supersimpático.
Por isso, a primeira categoria que criei foi a do posto abaixo, para marcar meus momentos de mau humor (aliás, nos últimos tempos, uns 363 dias do ano).

Camila Teixeira

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Apaga tudo

Eu ia escrever, aliás, escrevi, um post enorme sobre minha mudança do Rio para cá. Para sua sorte e para o bem da minha reputação (se é que tenho alguma), antes de postá-lo mudei de ideia. Apaguei tudo. Aos reler aquelas linhas, durante a revisão, um grande sentimento me invadiu. Mell dells do celll, não.

Às vezes, fico feliz de ter um pouco de bom senso, muito embora meu bom senso me impeça de fazer coisas interessantes.

Dessa vez, confiarei ter sido uma boa decisão essa de poupá-los das minhas divagações.

Coloco apenas o que vinha no final, o vídeo de uma música que ouvi no rádio, no meu primeiro final de semana aqui. Cantada pela Vanessa Paradis e, por coincidência, escrita por Gaetan Roussel, chefe do Louise Attaque, um músico que julgo muy interessante.

Para quem não entende francês, uma tradução livre do refrão:

Às vezes, a gente olha para as coisas / exatamente como elas são / e se pergunta “por quê?”

Às vezes, a gente olha / como elas poderiam ser / e se pergunta “por que não?”

Camila Teixeira

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